Futebol é política. O Brasil sabe disso. Durante anos, a direita bolsonarista sequestrou a camisa da seleção para se apresentar como mais nacionalista, mais patriótica, mais popular. A esquerda permitiu esse roubo e só recentemente resgatou a camisa das mãos dos Bolsonaro. Já era tempo.
Não é caso único. O Financial Times dedicou algum espaço à guerra das camisas na América Latina. Na Colômbia, por exemplo, a questão chegou mesmo a um tribunal de Bogotá: será que Abelardo de la Espriella, o candidato presidencial de direita, pode aparecer em campanha com as cores da seleção colombiana?
Não pode, decidiu um tribunal do país. A sentença foi revogada por uma instância superior e Espriella continua de amarelo, azul e vermelho. O seu principal adversário, Iván Cepeda, passou a usar as mesmas cores.
Há algo de cômico nessas guerras. Há também algo de totalizante —e, num sentido mais forte, algo que recorda a ambição totalitária de transformar tudo em sinal político.
Nos regimes fascistas, o esporte não era apenas esporte. Era afirmação política do regime. A Copa do Mundo de 1934, na Itália, ou os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, são exemplos extremos de manipulação do esporte para consagrar o poder.















