Da pátria de chuteiras de Nelson Rodrigues, chegamos às chuteiras sem pátria. O patriotismo foi descalçado, e os artelhos agora vão de magenta.

Esse rosa sem fronteiras poderia ser política antidamaresiana da Fifa, mas os criadores de um prêmio para Trump devem pensar nas mulheres mais aos pés do que calçando o pé dos homens. Outra hipótese é os marqueteiros das grandes marcas terem ido todos à mesma IA fã da Barbie. Ou a máfia rósea quis homenagear a Mangueira, dado o verde do gramado.

Seja como for, uma parte do patriotismo esmaeceu no campo. A velocidade contemporânea expulsou outra: o hino oitocentista "gigante pela própria natureza" foi cortado ao meio. Na Copa das Confederações de 2013, a torcida reagiu, cantando à capela a segunda parte. Essa multidão verde-amarela era branca e, dado o preço do ingresso, rica. A mesmíssima que, na Copa de 2014, mandou Dilma para aquele lugar para o qual se mandam os árbitros.

O nacionalismo naqueles anos Dilma expressou o antipetismo. Desde então, deu vazão a um patriotismo patético: do patriota do caminhão, da reza ao pneu, da tornozeleira eletrônica.

Apenas neste Lula 3, a esquerda voltou a disputar os símbolos nacionais. Esse time tinha deixado o verde-amarelo no vestiário das Diretas Já. Foi de lá, aliás, que o prefeito de Nova York resgatou o capitão da Democracia Corintiana para saudar a seleção.