O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu à esquerda brasileira para que, na Copa do Mundo, retome as cores da bandeira brasileira para que o verde e amarelo não sejam tomados por “nenhum fascista”. Também mencionou reconhecimento e respeito do país no exterior, em referência à soberania nacional, embora não tenha mencionado a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. E, indiretamente, disse esperar que o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes seja eleito ao governo fluminense. Lula participava de um painel no Rio2C, maior evento voltado para a economia criativa da América Latina, quando mencionou o nome do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, que estava no palco, junto com dezenas de convidados para o lançamento da plataforma de streaming Tela Brasil. Cavaliere estava usando um casaco com as cores brasileiras e o escudo da CBF e Lula se dirigiu a ele, quando disse: “Cavaliere está usando verde e amarelo e tem que colocar [uma placa com os dizeres] ‘não bolsonarista’.” Em seguida, o presidente disse que a esquerda terá que assistir a Copa de verde e amarelo “para não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista”. A fala ocorre um dia após Lula criticar diretamente a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, para que o governo americano classificasse o PCC e o CV como organizações terroristas. Correntes políticas alinhadas à extrema direita e ao bolsonarismo adotaram as cores da bandeira brasileira como elementos de identidade a partir das eleições de 2018. Em outro momento, Lula cumprimentou o ex-prefeito do Rio e pré-candidato ao governo do Estado, Eduardo Paes (PSD). Lula disse esperar a vitória de Paes contra o provável oponente, mas não citou nomes. O adversário de Paes será o deputado estadual Douglas Ruas (PL), que também é presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e ligado ao grupo político da família Bolsonaro. “Eu não posso falar de política porque estou em um ato de governo. Mas é um candidato, que vocês sabem quem é, que precisa ser eleito governador do Rio. É você que precisa ser eleito governador do Rio. É saber quem você vai votar diante das necessidades do Estado. Isso é cultura política”, afirmou Lula. No fim do evento, Lula cumprimentou o governador interino do Rio, desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, também no palco do Rio2C. Lula disse que Couto estava “consertando” o Rio. Respeito ao Brasil Lula participava de um painel no qual foi lançada oficialmente a plataforma de streaming Tela Brasil, criada pelo Ministério da Cultura para conteúdos audiovisuais 100% nacionais. Em sua fala, Lula não criticou diretamente a decisão do governo de Donald Trump, mas fez alusões diretas à soberania nacional. Segundo ele, o país nunca viveu momento de reconhecimento e respeitabilidade internacional como hoje. O presidente defendeu que iniciativas culturais sejam implantadas como política de Estado, não de governo, para evitar que ações promovidas não sejam desfeitas por governos seguintes e destacou a importância do cultura brasileira como elemento de formação das pessoas. Citou como exemplo, um jovem fictício que, ao assistir ao filme Rambo, vai acreditar que os Estados Unidos ganharam a guerra do Vietnã, quando, na verdade, “tomaram uma surra” dos vietnamitas. “Cultura ensina, abre cabeça, abre horizontes, faz a gente enxergar um pouco mais longe e o que não era visível. Tem pessoas que não gostam de cultura, porque são contra, e só pode não gostar de cultura quem é ignorante”, afirmou. Nessa linha, Lula disse que o país “jogou fora o complexo de vira-latas” e que provou que “podemos fazer muito mais e melhor”, defendendo iniciativas como os biocombustíveis. Ele mencionou um teste feito na Feira de Hannover, o maior evento industrial do mundo na Alemanha, com dois caminhões, um abastecido com diesel brasileiro — com 15% de biodiesel — e outro com diesel europeu. Segundo Lula, o “nosso biodiesel emite 67% menos CO2 do que o deles”. Audiovisual No evento, os ministérios da Cultura e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) firmaram acordo de cooperação para compartilhamento de conteúdo da TV Brasil, pública, com a plataforma Tela Brasil. Marcio Tavares, secretário executivo do Ministério da Cultura, destacou que a EBC destinou R$ 120 milhões para produção de filmes, séries, documentários e novelas, por produtores independentes, que serão exibidos na TV Brasil e na Tela Brasil. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, disse que um grupo de trabalho criado para inserir o segmento audiovisual na Nova Indústria Brasil (NIB), politica de reindustrialização, chegou a 11 ações prioritárias a serem implementadas, algumas no curto prazo.
Lula pede que esquerda retome verde e amarelo na Copa do Mundo
Presidente afirma que as cores do Brasil não devem ser tomadas por 'nenhum fascista' e volta a defender a soberania nacional.














