Apenas a doença do chauvinismo impede que alguns brasileiros reconheçam a grandeza de Messi. Ontem, na transmissão da CazéTV, revelou-se que expressivos 49% dos espectadores torciam pela Argentina mas, infelizmente, 51% diziam secar os vizinhos. Paralelamente, muitas pessoas escreviam, no chat da emissora, frases de estrutura adversativa: “Não torço para a Argentina, MAS torço pelo Messi”, “Não gosto dos Argentinos, MAS Messi é incrível” etc. Essa necessidade de lavrar a ressalva, antes do elogio, revela o ambiente conflagrado das redes, como na política: antes de enaltecer, as pessoas se sentem no dever precavido de distanciar-se. Do contrário, a resposta ou comentário vem crivada de ofensas.
Minutos após seu feito esplendoroso, Messi afirmou que as estatísticas iludem e que, em sua modesta visão, tornar-se o maior artilheiro das Copas não faz dele o melhor jogador da história. O “ET” alviceleste mencionou em sua fala Ronaldo, que perdeu a posição de recordista em 2014, suplantado pelo banheirista Miroslav Klose no fatídico 7×1. Mbappé, que horas antes anotou mais dois e ultrapassou a marca de Pelé em mundiais, foi na mesma direção do argentino: “Pele é Rei, o maior de todos”, disse, com um gesto de “fim de papo”, passando apressado pelo corredor da imprensa.











