Vik Muniz estava na Holanda, trabalhando em um projeto em que usaria flores como matéria-prima, quando soube do incêndio que quase destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018. Ficou tão comovido com a notícia que pressentiu que, em breve, abandonaria as pétalas para usar cinzas como objeto de trabalho.
No caso, os restos de objetos do acervo que se perderam, tentando recriá-los por meio de sua arte. Fez isso, por exemplo, com as cinzas recuperadas de Luzia, o mais antigo hominídeo do continente americano, cujos fragmentos do crânio encontrados em Minas Gerais na década de 1970 datam de cerca de 12 mil anos.
Com base em fotos, redesenhou Luzia com sua própria poeira e depois fotografou o resultado. Essa obra e mais dez fotografias de recriações de outras peças, além de nove esculturas feitas de resina misturada a cinzas, estão expostas na mostra "Rescaldo das Memórias", em cartaz no Museu Nacional. As réplicas foram desenvolvidas com ajuda tecnológica do Laboratório de Processamento de Imagem Digital do Museu Nacional, o LAPID, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
"Eu preferia que eu nem tivesse tido a ideia", diz Muniz, ao lembrar ainda hoje da crise de choro que teve ao tomar ciência do incêndio, em um lugar que ele conhecia tão bem.














