Eleições 2026
Quando o presidente Lula (PT) desembarcou em Minas Gerais na semana passada, trazia uma agenda carregada de entregas na área da saúde. Horas depois, voltou a Brasília sem resolver uma pendência fundamental para sua tentativa de reeleição: quem vai disputar o governo mineiro pelo campo lulista.
Nenhum dos três nomes mais cotados nos bastidores para encabeçar a chapa esteve ao lado de Lula durante a viagem. Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem e hoje pré-candidata ao Senado, evitou a agenda. Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo, também não apareceu. Jarbas Soares Júnior (PSB), ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, muito menos.
Lula discursou sobre a mãe analfabeta, sobre o ProUni e sobre a fome que conheceu em Pernambuco antes de chegar à Presidência pela terceira vez. A multidão aplaudiu, mas a cena que os petistas mineiros esperavam, o presidente ao lado de um candidato batizado para outubro, simplesmente não aconteceu.
O impasse nasceu de uma aposta que ruiu, como escrevi nesta CartaCapital em maio. Lula apostou quase um ano inteiro em Rodrigo Pacheco (PSB), ex-presidente do Senado. O PT mineiro suspendeu o próprio debate interno à espera de uma definição. Depois de meses de especulação e de sucessivas negativas públicas, em meio a relatos de frustração por não ter sido indicado ao Supremo Tribunal Federal, Pacheco anunciou que deixaria a vida pública, e o partido descobriu que havia gastado tempo demais esperando uma resposta que não viria.












