Estado é considerado peça-chave para disputa nacional e a definição do nome ocorrerá nos próximos dias O presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Christian Hartmann/Reuters Após a recusa do senador Rodrigo Pacheco (PSB) para disputar o governo de Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores (PT) decidiram, nesta quarta-feira (24), lançar uma candidatura própria ao posto. A definição do nome será construída nos próximos dias em diálogo com aliados no Estado. O aval de Lula foi dado nesta manhã, durante reunião com o presidente do partido, Edinho Silva, e a bancada federal mineira, além de representantes da executiva nacional. A agenda aconteceu no Palácio da Alvorada, num esforço feito pelo chefe do Executivo para destravar os principais palanques do país. "O entendimento construído coletivamente reafirma uma resolução decidida há um mês de que o Partido dos Trabalhadores vai apresentar uma candidatura própria em Minas Gerais. As definições sobre esse projeto serão construídas nos próximos dias, a partir do diálogo entre o partido e as forças políticas comprometidas com um projeto democrático e popular para o estado", diz nota divulgada pela presidente estadual do PT, Leninha, após o encontro. De acordo com a dirigente, Lula reforçou, na agenda, a importância estratégica de Minas Gerais para a política nacional. Isso porque o Estado é considerado decisivo nas eleições, especialmente para a presidência da República. Desde 1950, o Estado repete tradição de que o primeiro colocado ao Palácio do Planalto em Minas Gerais foi o vencedor da eleição presidencial nacional. Lula, por exemplo, conseguiu 50,2% dos votos válidos em Minas Gerais, ante 49,8% obtidos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Como mostrou o Valor, após a recusa de Pacheco para disputar o governo mineiro, o PT passou a discutir opções para o Estado: lançar um nome próprio, apoiar uma eventual indicação do PSB ou construir aliança com um outro partido. O diretório estadual do PT realizou uma consulta interna junto aos filiados. O levantamento foi submetido ao diretório nacional e levado hoje a Lula. Embora o PSB fosse o partido de Pacheco, integrantes do PT rejeitaram a ideia de que a aliança esteja automaticamente consolidada. Dentre os nomes cotados pela legenda do vice-presidente Geraldo Alckmin para disputar o governo estão o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares Júnior e o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) Josué Gomes da Silva. No entanto, no partido de Lula, ambos os nomes não são vistos como viáveis no atual cenário político mineiro. Paralelamente, setores do PT passaram a defender uma composição com o MDB em torno da candidatura de Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte. A ideia defendida era fazer uma “frente de centro” na disputa estadual.