Para o líder da rede de atacarejo de materiais de construção, a era da IA vai levar a uma valorização de profissões manuais, como a de pedreiro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Michael Reins, CEO da Obramax — Foto: Edilson Dantas/Agência O GLOBO RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/06/2026 - 18:30 Obramax Expande no Brasil: R$ 3,5 Bi e 50 Lojas até 2029 A Obramax, rede de atacarejo de materiais de construção do grupo francês Adeo, está expandindo rapidamente no Brasil, impulsionada pelo modelo de vendas que mistura atacado e varejo. O CEO Michael Reins destaca a importância das profissões manuais no contexto da inteligência artificial, prevendo uma valorização das mesmas. Planejam investir R$ 3,5 bilhões e ter até 50 lojas no país até 2029. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Sucesso entre os brasileiros, o atacarejo foi além do supermercado. O modelo está impulsionando a expansão no país da Obramax, que vende materiais de construção nessa mistura de atacado com varejo. Parte do grupo francês Adeo, dono da Leroy Merlin, a rede chegou ao Brasil em 2018 e já tem 14 lojas por aqui, seis dela no Rio. Com a previsão de aumento de 50% nas vendas num ano em que o setor anda de lado, a Obramax pretende terminar 2026 com 20 estabelecimentos no país, diz o CEO da varejista, Michael Reins, em entrevista ao GLOBO. Liderar a expansão empolga o executivo francês, que se diz um apaixonado pelo Brasil desde a adolescência. Em 2025, as vendas de material de construção caíram 1,25% no Brasil, mas o faturamento da Obramax subiu 60% e chegou a R$ 2,6 bilhões. Como explica a alta mesmo com juros altos, que retraem a construção? Quando há um novo entrante no segmento, por mais que o mercado esteja consolidado e estagnado em função do momento econômico, essa nova fórmula atrai um público relevante e há uma redistribuição de cartas. Alguns estão perdendo aquilo que a Obramax está ganhando no mercado. Neste ano, vamos abrir aqui o mesmo número de lojas que abrimos nos últimos dois anos, oito no total. Desde 2018, havíamos investido R$ 1,1 bilhão. Anunciamos, este ano, um ciclo de investimentos de R$ 3,5 bilhões nos próximos três anos. Nosso objetivo é ter de 45 a 50 lojas até o final de 2029. Parte desse crescimento é porque o consumidor brasileiro já conhece muito bem o modelo de atacarejo alimentar, que teve crescimento absurdo nos últimos anos aqui. Mas não existia o equivalente no setor de construção. Nosso grupo já tem esse modelo na França, na Itália, na Espanha e, mais recentemente, em Portugal e na Polônia. Houve adaptações nesse modelo para o gosto brasileiro? Trouxemos nossa experiência, mas também fizemos adaptações. Nossa loja é uma “espinha de peixe”, um corredor com todos os setores nas laterais para visualizar e localizar produtos de forma fácil. Todas as lojas têm drive-thru: o cliente entra com seu próprio caminhão, carrega e vai embora para a obra. Atendemos desde o profissional, o autônomo, o pedreiro, até a pequena e média empresa de engenharia, construção e reforma. E também pessoas físicas. Fizemos sucesso, em particular, com as classes C, D e E, que encontram uma solução talvez mais ao alcance do bolso. Sempre pegamos para cada produto o preço mais baixo que encontramos no mercado. Mas, quando fazemos o estoque, temos a marca de referência, porque muitos profissionais confiam nela, mas também itens de ótimo custo-benefício, com valor mais acessível. Um dos gargalos no varejo costuma ser a logística e o prazo de entrega. Como superá-lo? Nossas lojas são um centro de distribuição com clientes transitando por ela. Pode assustar, mas isso explica o que somos: uma empresa de varejo com forte dimensão logística. O cliente pode retirar na hora, se tiver o caminhão. Se compra até 15h, recebe no dia seguinte. Como as lojas têm grande volume, consigo garantir. Outra característica do consumidor brasileiro é parcelar a compra. Como se adaptaram? O profissional da construção civil não parcela muito, recebe do cliente e gerencia o gasto. Mas o consumidor final, sim. Quem compra a prazo, paga 1% a mais do preço à vista, por parcela. Mesmo com a oscilação dos juros, evito mudar isso porque é complicado para o cliente acompanhar. O juro baixo sempre ajuda na dinâmica da construção porque facilita a aquisição de imóvel. Agora está mais difícil, mas é cíclico. Em algum momento, a economia melhora, e os juros caem. Quais os outros desafios de atuar no Brasil? Em muitas praças, há dificuldade de encontrar mão de obra. A cada nova loja, são pelo menos 150 empregos diretos. E a questão tributária? Tenho expectativa de que haja simplificação com a Reforma Tributária. Só para gerenciar o ICMS, tenho 15 pessoas. Na França, onde há o IVA (tipo de imposto sobre o consumo que será adotado no Brasil), é uma que faz a declaração em um dia. A simplificação é boa para os negócios. Pagar imposto é normal, mas que seja simples de apurar e fácil de recolher. A experiência física da compra ainda é importante para esse segmento. Está mudando? Quanto das vendas vem do comércio eletrônico? O e-commerce representa quase 5%, mas vendas a distância são entre 9% e 10% do faturamento. São via WhatsApp e televendas. Acabamos de lançar o app, mas está bem iniciante. O canal físico é o mais relevante mesmo. É preciso lembrar que o trabalho de um profissional da construção civil é solitário, muitas vezes árduo. Então, sair da obra, ir à loja, encontrar pessoas, se relacionar, tirar dúvidas é um momento dele. E o consumidor final precisa de uma certa segurança. Tocar nos produtos, conversar com o vendedor e ter um conselho fazem diferença. Como surgiu a ideia de criar cursos de capacitação? No Brasil, muitos profissionais da construção, principalmente quando se trata do pedreiro, entram nessa profissão porque o pai puxou, a tia chamou, o vizinho pediu um serviço. A pessoa sente que leva jeito e entra nesse mercado. São agentes transformadores. Se temos uma casa, é porque um deles tocou o projeto. Na Europa, muitos têm formação técnica, mas, aqui, aprendem sozinhos, têm que se virar. Resolvemos ajudar na capacitação. São cursos voltados para o profissional, mas abertos a todos, on-line e presencial. Ensinamos desde montar um quadro de eletricidade até construir uma parede. São 82 mil formados em oito anos. Nesse ambiente de IA, se fala muito de ameaças a várias profissões, mas acho que vamos dar valor a essa arte de quem sabe construir, reformar. As pessoas vão se dar conta de que é uma profissão nobre, e que tem muitas oportunidades porque tem demanda. É um momento bizarro, porque falta mão de obra na construção civil. Hoje não valorizamos tanto essas profissões manuais. Mas acho que isso vai voltar em menos de uma década.
‘Vamos nos dar conta de que construir é nobre’, diz CEO da Obramax
Para o líder da rede de atacarejo de materiais de construção, a era da IA vai levar a uma valorização de profissões manuais, como a de pedreiro











