Enquanto a construção civil dá sinais de perda de fôlego diante dos juros elevados, do crédito mais caro e da Guerra no Irã, a Obramax decidiu pisar no acelerador. A rede de atacarejo de materiais de construção, pertencente ao mesmo grupo da Leroy Merlin, prevê investir R$ 13,5 bilhões para abrir entre oito e dez lojas por ano nos próximos três anos.

A aposta parece caminhar na contramão do mercado. Dados recentes mostram desaceleração das vendas e maior dificuldade de acesso ao financiamento imobiliário. Para Michael Reins, CEO da companhia, porém, o momento exige visão de longo prazo.

"Se olharmos apenas o ciclo atual, ninguém investiria. Mas estamos falando de um mercado que continua enorme e estruturalmente carente de produtividade", afirma em entrevista à Folha.

De acordo com o executivo, a Obramax ocupa um espaço diferente daquele explorado pela Leroy Merlin. Enquanto a varejista tradicional se concentra em consumidores que buscam decoração, reforma e inspiração para a casa, a Obramax mira o profissional da construção.

"O pedreiro, o eletricista, o encanador, o pequeno construtor precisam de praticidade. Eles querem encontrar o produto rapidamente, pagar um preço competitivo e voltar para a obra. Nosso negócio gira em torno da racionalidade e da eficiência", diz.