Para Thaís Santos, 24, o primeiro impacto ao chegar ao curso de engenharia civil foi a desproporção. Na primeira semana de aula na Escola Politécnica da USP, só via homens na sala. Pensou em como seriam os cinco anos seguintes de formação.

Por ser mulher, sentiu que precisaria se esforçar mais para ser reconhecida em um ambiente que define como machista. "O que eu vou ter que fazer para me provar e competir de igual para igual?", diz ter questionado na época. O desconforto diminuiu ao longo da graduação, quando passou a ter contato com professoras e mulheres em cargos de liderança.

Quando ingressou, em 2020, a escola era dirigida por Liedi Bernucci, primeira mulher a ocupar o cargo em 124 anos. A presença feminina na direção, afirma, trouxe sensação de pertencimento. "Começar a enxergar mulheres nessas posições traz conforto."

Hoje, a Poli é comandada por Anna Reali, segunda mulher no posto. Em entrevista à Folha em março, a engenheira afirmou que o afastamento feminino da área não começa na universidade, mas em uma mudança cultural durante a adolescência.

Os dados mostram o desequilíbrio na formação da área. Segundo o Seesp (Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo), com base no Censo da Educação Superior do governo federal, dos 87.749 formados em engenharia em 2024, 22.721 (26%) eram mulheres, ante 65.027 homens. Na Poli, mulheres são cerca de 20% dos alunos e pouco mais de 15% dos docentes.