A arquiteta paulistana Tatiana Fló Cosenza, 43, teve que passar por situações de esgotamento para conseguir melhorar sua relação com o trabalho. Na primeira, há mais de 20 anos, ela desmaiou enquanto dirigia na estrada. Seu carro foi parar embaixo de um ônibus.

A última foi no início da pandemia, quando seu chefe a mandou participar de uma reunião presencial enquanto ela estava com Covid. Mesmo doente, foi à reunião. Mas, antes que seu corpo e sua mente pifassem de novo, pediu demissão.

"Eu era cobrada em um nível muito alto. Fiquei em um estado que meu marido não me reconhecia mais, de tão exausta que eu estava", diz.

Tatiana, que é mãe e lida também com tarefas da casa, hoje tem seu escritório e, com outras duas sócias, coloca limites na rotina. Embora preste mais atenção à sua saúde mental, ainda se sente sobrecarregada —há dias em que conversa com 57 pessoas diferentes no WhatsApp, entre fornecedores, clientes, amigos e família.

Para não enlouquecer, ela diz que deixa de pegar novos projetos, terceiriza alguns trabalhos e, quando para de trabalhar, tenta não olhar mais o celular.