A jornalista Izabella Camargo, 45, consultou cinco médicos antes de ter um apagão ao vivo ao apresentar a previsão do tempo em um telejornal na TV Globo, em 2018. Todos os especialistas trataram suas queixas, como dores de cabeça intensas e problemas no intestino, separadamente.
Foi somente ao se consultar com um cardiologista, o sexto médico, que ela recebeu o diagnóstico de estresse crônico. A princípio, duvidou daquele parecer. Fazia anos que trabalhava sob pressão, por que o estresse a estaria prejudicando depois de tanto tempo? "Eu estava normalizando o anormal, algo que fazemos com muita frequência", diz.
Trabalhando para cumprir metas, ela conta que fazia o dobro para ter o mesmo reconhecimento dos homens. O apagão foi o estopim do diagnóstico da síndrome de burnout ou do esgotamento profissional, distúrbio emocional decorrente de sobrecarga extrema no trabalho que afeta principalmente as mulheres.
Segundo o Ministério da Previdência Social, 546,2 mil brasileiros foram afastastados do trabalho no ano passado por problemas ligados à saúde mental, com as mulheres representando 63% dos casos.
Dulce Brito, gerente médica de bem-estar e saúde mental do Einstein Hospital Israelita de São Paulo, diz acompanhar o aumento de casos de mulheres sobrecarregadas. "É algo que toda mulher sente, e estamos começando a falar sobre isso."















