Quando foi avisado de que deixaria o cargo de diretor de marketing para ser o country manager, o principal executivo da Concha y Toro no Brasil, Pietro Capuzzi ouviu a explicação:
"O antigo presidente disse: você está aqui por causa do business. Entender de vinho é a última coisa que espero", relembra.Líder no mercado brasileiro, a companhia faturou globalmente em 2025 cerca de US$ 1 bilhão. Capuzzi viu de perto a transformação do consumidor que coloca o setor de vinhos no país na contramão da tendência mundial.
Como a Concha y Toro vê o mercado brasileiro? O Brasil apresenta oportunidades. Ao contrário do que acontece no mundo inteiro, o mercado aqui tem crescido de forma consistente.
Isso acontece mesmo com o setor de vinhos em crise? Em parte, é por causa das canetas emagrecedoras, que impactam os hábitos de consumo das pessoas, pelas escolhas mais saudáveis e de consumir menos álcool. Então, a indústria do vinho não está bem. Mas quando a gente olha para o Brasil, a tendência é diferente. É um país de pessoas buscando vinhos melhores, variedade e novos tipos. O Brasil está na contramão do mundo.
Essa mudança tem a ver com a pandemia? O pós-pandemia mudou muito o consumo do brasileiro e foi de encontro ao que o vinho oferece. As pessoas tomavam cerveja para beber muito. Hoje, as decisões de álcool são mais racionalizadas. E o vinho traz essa alternativa. Ele permite o contexto social, mas sem os malefícios que outras categorias trazem. O brasileiro descobriu o vinho, começou a se interessar e ir atrás de mais informações. Isso tem feito a categoria crescer.















