O Brasil é muito importante para o vinho português —​ basta lembrar que em 2025 foi o terceiro maior mercado e o primeiro se não incluirmos o vinho do Porto. E é este mercado que está já a viver uma mudança com um enorme impacto potencial: a entrada em vigor do acordo com o Mercosul.“Este acordo União Europeia - Mercosul trouxe muito optimismo”, confirma Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal ao PÚBLICO, à margem do Vinhos de Portugal no Brasil, o maior evento de vinhos portugueses neste país, organizado pelos jornais PÚBLICO, e O Globo e Valor Económico, do Brasil, em parceria com a ViniPortugal e curadoria da Out of Paper.O que acontecia até agora era que os vinhos portugueses entravam no mercado brasileiro com uma grande desvantagem à partida relativamente aos seus concorrentes mais directos, o Chile (que continua a liderar em volume e valor) e a Argentina — uma taxa de 27% que, explica Falcão, “somando a outras tarifas, e porque os impostos são cumulativos, chegava quase aos 60%”.O acordo com o Mercosul prevê uma diminuição gradual desse imposto de 27% a um ritmo de 3% ao ano. Para já, em Maio foi aplicada a primeira redução de 3%, que ainda é um valor baixo, mas é um princípio. “Em nove anos teremos eliminado os 27%”. Como os impostos são cumulativos sobre o valor inicial, esses 3% acabam, na realidade, por representar, no final da cadeia, cerca de 5 a 6%.