Medida provisória assinada por Lula determina que futuros formandos precisem atingir pelo menos 60% de aproveitamento para obter o registro profissional; regra não afeta quem já está na graduação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estudantes de medicina: MP estabelece que só conseguirá registro no Conselho Regional de Medicina, necessário para o exercício da profissão, quem acertar pelo menos 60% no Enamed — Foto: Pexels RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 21:15 Nova Medida Provisória Exige Nota Mínima no Enamed para Médicos Formados a Partir de 2032 Especialistas celebram a medida provisória assinada por Lula que exige aproveitamento mínimo de 60% no Enamed para formandos em Medicina obterem registro profissional, semelhante ao exame da OAB para Direito. A regra, que não afeta atuais estudantes, visa melhorar a qualidade do ensino e avaliar instituições. A partir de 2032, formandos precisarão atingir essa nota para exercer a profissão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Especialistas da área de educação médica ouvidos pelo GLOBO avaliaram como positiva a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que transforma o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) em uma espécie de “OAB da Medicina”. Os alunos que entrarem na graduação a partir de agora precisarão acertar pelo menos 60% do teste ao final do curso para obter o registro profissional — assim como hoje acontece com os formandos de Direito com o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A mudança, portanto, não afeta quem já está na graduação. Só em meados de 2032 — quando os alunos que se matricularem para o segundo semestre de 2026 chegarem ao final de seis anos do curso —, o Enamed passará a servir para barrar formandos que não atingirem a proficiência mínima da prova. A partir desse momento, os reprovados poderão tentar quantas vezes precisarem até conseguirem o patamar esperado. Dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) sobre a edição de 2025 do exame dimensionam o impacto que a nova regra pode ter. Ao todo, 33% dos 39.258 concluintes avaliados no ano passado — cerca de 13 mil formandos — não atingiram o nível considerado proficiente, ficando abaixo do patamar mínimo definido pela avaliação. Professora do Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina e reitora da Unifesp entre 2013 e 2021, Soraya Smaili avalia que a exigência é positiva: — Esse exame irá além da avaliação apenas dos estudantes, permitirá também que as faculdades sejam avaliadas, as escolas de Medicina que eles estão cursando. A nota média, o conjunto das avaliações, pode trazer informações importantes sobre o sistema de ensino brasileiro. Isso é importante para nós, porque houve uma proliferação de novas faculdades de medicina no país que ainda não foram avaliadas. Avaliação semestral A MP ainda define que o Enamed passará a ser realizado uma vez por semestre pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As provas serão aplicadas em todos os municípios que tenham oferta de cursos de graduação em Medicina. O texto estabelece participação obrigatória de alunos do final do quarto ano e do sexto. O primeiro grupo não sofrerá qualquer sansão quanto ao resultado obtido. Ele servirá apenas como avaliação diagnóstica para as instituições de ensino e para os próprios universitários. No entanto, as notas constarão no histórico escolar, assim como as dos formandos. — A avaliação dos alunos do quarto ano tem efeito diagnóstico. É uma etapa importante porque é exatamente antes do internato e as instituições vão poder avaliar se o aluno tem condição de avançar para essa nova fase e também poderão utilizar para a correção de rumo dos estudantes para chegarem ao fim do sexto ano mais preparados — afirmou ontem a secretária de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Marta Abramo. Já as notas dos estudantes no final do curso terão outras duas funções além de garantir o registro médico aos aprovados. A primeira delas é selecionar estudantes para as residências médicas — uma pós-graduação na qual os profissionais se especializarão em diferentes áreas, como clínica médica, cardiologia, dermatologia. A segunda é para avaliação dos cursos. Assim como já aconteceu em 2025, o resultado dos alunos gera uma nota geral do curso, indicador que varia de 1 a 5. Resultados insatisfatórios (conceitos 1 e 2) resultam em “medidas cautelares de regulação e supervisão”, que vão desde a redução de vagas até a desativação dos cursos. Neste ano, 53 faculdades privadas e uma federal foram punidas com alguma limitação de abertura de vagas. A edição de 2026 já tem inscrições abertas, que seguem até 29 de junho. As provas serão aplicadas em 13 de setembro e seus resultados serão válidos, nessa edição, apenas para avaliação dos cursos de graduação e para acompanhamento da formação dos estudantes. Segundo o MEC, um dos princípios centrais da nova norma é responsabilizar não apenas os estudantes pela qualidade da sua formação, mas, principalmente, as instituições de educação superior. A criação de uma prova de proficiência nos moldes da OAB para Medicina já era debatida no Congresso. No entanto, o projeto que foi aprovado nas comissões do Senado e aguardava para ser debatido no plenário da Casa determinava que o Conselho Federal de Medicina (CFM) seria o responsável por aplicar o teste para os formandos receberem o registro profissional. O MEC, no entanto, era contra ter duas provas — o Enamed que até então servia apenas para avaliar o curso e a que o conselho gostaria de criar para chancelar os novos médicos. Procurado após a divulgação da MP, o CFM informou que aguardava o texto ser publicado no Diário Oficial da União, o que aconteceu no fim do dia de ontem, para comentar. — (A gente) está atendendo tanto uma demanda da sociedade, quanto das entidades médicas que defendem o exame de proficiência. Por isso, a MP dispõe de uma comissão com a participação do CFM e da Associação Médica Brasileira. Entendo que ela contempla bem o que vinha sendo debatido — disse o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço. ‘Avanço histórico’ Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), Sandro Schreiber, a decisão sobre o Enamed representa um avanço histórico para a educação médica brasileira por definir o MEC como o responsável pela prova. — O desafio, agora, é garantir que esse processo seja contínuo, transparente e baseado em evidências, com diálogo com as entidades médicas e de educação, com as escolas, professores e estudantes — afirmou. Já o neurocirurgião Carlos Carlotti Jr., reitor da Universidade de São Paulo (USP) entre 2022 e 2026 e professor titular de neurocirurgia da Faculdade de Medicina da USP, diz que o país cometeu um erro histórico ao abrir muita escola médica sem controle de qualidade. — Isso foi muito ruim. E, portanto, eu sou bastante favorável a essa medida. Ela prevê um exame seriado, que aconteça durante o curso. Ou seja, não é algo feito para punir o aluno, mas para organizar a manutenção das escolas de medicina.
Especialistas veem como avanço exigência de nota mínima no Enamed para exercício da Medicina
Medida provisória assinada por Lula determina que futuros formandos precisem atingir pelo menos 60% de aproveitamento para obter o registro profissional; regra não afeta quem já está na graduação










