Quando os estados do sul dos Estados Unidos, incapazes de aceitar a vitória de Abraham Lincoln nas eleições de 1860, declararam sua secessão e iniciaram a Guerra Civil americana, o presidente precisou evitar usar a palavra "escravidão" para tentar convencer milhões de pessoas a lutar em um conflito fratricida que, até hoje, é a guerra que mais matou americanos na história.
Em seu primeiro discurso após o início da guerra, apenas um mês depois da posse, Lincoln disse ao Congresso que o sul "forçou sobre o país esta questão: dissolução imediata, ou sangue". E apelou ao senso democrático dos americanos.
"A questão vai além do futuro destes Estados Unidos. Ela apresenta a toda a humanidade a pergunta: poderá ou não poderá uma república constitucional, uma democracia, um governo do povo pelo povo, manter sua integridade territorial contra seus inimigos domésticos?"
A omissão do presidente sobre a causa da guerra, a escravidão, não tinha como objetivo esconder suas opiniões sobre o tema —que eram conhecidas, embora moderadas para a época. O republicano, líder desse partido abolicionista criado dez anos antes, foi eleito com a promessa de manter a escravatura de pé onde ela ainda existia e simplesmente impedir sua expansão nos novos territórios adquiridos pelos EUA no oeste.














