A operação da Polícia Federal no Caso Master contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT), é mais um elemento de pressão à eventual tentativa do Palácio do Planalto de reconduzir o advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

O episódio não é visto, por si só, como capaz de inviabilizar uma nova indicação. Mas atrapalha a articulação política justamente no momento em que Lula precisaria reconstruir pontes no Senado, recompor a relação com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e reverter a derrota sofrida em abril, quando o nome de Messias foi rejeitado por 42 votos a 34.

Como líder do governo, Wagner é um dos principais operadores do Planalto junto aos senadores. Cabe a ele negociar com bancadas, atuar junto a Alcolumbre e ajudar a calibrar o calendário de uma eventual sabatina e votação. Por isso, o desgaste provocado pela operação passou a ser tratado, nos bastidores, como um problema adicional para uma indicação que já exigiria uma engenharia política delicada.

No Planalto, a avaliação é que este não é o momento de dobrar a aposta na nomeação do AGU. Há, porém, divergências na própria base. Líderes governistas ouvidos pela reportagem minimizam o efeito direto da investigação sobre uma eventual nova indicação. Um dos argumentos é a postura de Alcolumbre,, que saiu publicamente em defesa de Jaques Wagner.