O projeto de renegociação das dívidas do agronegócio aprovado pelo Senado pode impor um "duplo castigo" ao sistema financeiro nacional, na avaliação de Francisco Petros, presidente do Comitê Independente de Riscos e Capital da Caixa Econômica Federal.
Segundo ele, os bancos já enfrentam o aumento da inadimplência no setor rural e, caso a proposta avance, serão obrigados a destinar mais capital para sustentar o alongamento das dívidas, reduzindo espaço para novos empréstimos e restringindo a oferta de crédito em outras linhas.
Em entrevista à Folha, Petros disse que as condições aprovadas pelo Senado aumentam a pressão sobre o sistema de crédito ao exigir que os bancos carreguem por mais tempo operações problemáticas nos balanços, aumentando provisões.
Na avaliação dele, o efeito pode ir além do agronegócio, uma vez que o maior consumo de capital nessas operações reduziria a capacidade das instituições financeiras de conceder novos financiamentos para empresas e pessoas físicas.
"Hoje, há parâmetros de utilização de capital maior, e quando você usa esse capital para a renegociação, você tem que necessariamente reduzir nos outros segmentos. É como se fosse um bolo. Se você usa mais capital para o sistema rural, você vai ter que diminuir o estoque dos bancos de empréstimos [em outras modalidades], porque você vai ter que alocar mais capital para o rural", afirma.












