Cláudia Campo nega ter esvaziado as contas tituladas por Jorge Nuno Pinto da Costa, ex-presidente do FC Porto, garantindo também não ter sido responsável pela ocultação de património e bens. Em comunicado, a que o PÚBLICO teve acesso, a viúva do antigo dirigente “azul e branco” acusa Alexandre Pinto da Costa, filho mais velho do marido, de apenas se lembrar de que tinha pai após a morte deste.“É absolutamente falso afirmar ou insinuar que tenha esvaziado contas, feito desaparecer dinheiro ou património, ou praticado qualquer apropriação ilegítima. As matérias que têm vindo a ser publicadas correspondem a alegações unilaterais, produzidas em contexto de litígio judicial, por alguém que apenas se lembrou que tinha Pai após o óbito do mesmo”, escreve Cláudia Campo.Existem, neste momento, duas acções civis a correr, intentadas por Alexandre Pinto da Costa em Março de 2025, cerca de um mês após a morte do pai. Uma consiste num processo de inventário, que é uma acção de partilha litigiosa de bens, e outra, uma petição de herança, que pretende localizar bens do ex-presidente do FC Porto. O filho de Pinto da Costa avançou ainda com uma queixa-crime contra desconhecidos, onde identifica mais de 70 contas tituladas pelo pai. Foram ainda identificadas transferências realizadas nos meses anteriores à morte do ex-dirigente que terão esvaziado as contas de Pinto da Costa.Cláudia Campo nega esta imputação, dizendo que avançou criminalmente contra “o autor das falsas notícias publicadas” para defender a sua honra. Acusa ainda Alexandre de “criar uma realidade imaginária que apenas existe no seu imaginário”.Da queixa-crime, de acordo com informações recolhidas pelo PÚBLICO e publicadas a 12 de Junho, fazem parte fotografias sobre obras de arte existentes na residência de Pinto da Costa, no Porto, que terão desaparecido. Também se alega que há dezenas de relógios de luxo, alguns em ouro, e outros bens pertencentes ao ex-presidente portista em paradeiro incerto. No caso dos relógios, fala-se em modelos de marcas de alta relojoaria como Patek Phillippe e Rolex, entre outros.No processo de partilhas, diz-se que Pinto da Costa levantou 600 mil euros em numerário de um banco em Janeiro de 2025, cerca de um mês antes da sua morte. E, por se encontrar, à época, em fase avançada da doença, são lançadas dúvidas sobre a autonomia de Pinto da Costa, questionando-se se o dirigente terá sido influenciado a tomar estas decisões financeiras em dezenas de contas, tais como levantamentos e transferências bancárias, pouco antes da sua morte.Da herança faz ainda parte o espólio desportivo de Pinto da Costa — camisolas, distinções, lembranças, mas também objectos valiosos, como relógios de luxo, acumulados durante mais de quatro décadas de dirigismo. O ex-presidente do FC Porto tinha uma colecção privada com muitos milhares de objectos que se mantém guardada numa moradia de luxo, perto do mar, no Porto. O filho de Pinto da Costa já disse que tenciona doar a parte que lhe tocar desse espólio ao FC Porto, para que o clube “azul e branco” possa exibir estes objectos no museu.Como é de conhecimento público, Jorge Nuno Pinto da Costa chegou a auferir anualmente mais de 600 mil euros enquanto presidente portista, valor que podia ultrapassar um milhão de euros com as gratificações que premiavam o bom desempenho desportivo e financeiro dos “azuis e brancos”. É seguro dizer-se que auferiu vários milhões de euros ao serviço do FC Porto, a que se junta a herança deixada pela mãe, Maria Pinto, casas e apartamentos, títulos financeiros e outros bens.Jorge Nuno Pinto da Costa morreu a 15 de Fevereiro de 2025, vítima de cancro, com 87 anos. O ex-presidente portista liderou o clube “azul e branco” durante 42 anos e foi o mais bem-sucedido de todos os presidentes da história do futebol, conquistando mais de 1500 troféus. Só no futebol, foram 69, incluindo sete competições internacionais.
“Lembrou-se que tinha pai após o óbito”: viúva de Pinto da Costa nega esvaziar contas
Cláudia Campo nega ter esvaziado contas ou feito desaparecer qualquer património do ex-presidente do FC Porto.














