Advogados alegam que Henrique Vorcaro possuía negócios imobiliários com Sicário - que se matou em março - e com Manoel Rodrigues, conhecido como Manolo - apontado pela PF como bicheiro O empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou nesta quinta-feira (18) ao Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de seus advogados, que a família de Luiz Philipe Mourão, conhecido como "Sicário" o teria assediado buscando pagamentos por contratos que os dois possuíam. Henrique - que está preso, assim como seu filho - alega que não houve nenhuma tentativa de comprar o silêncio de Joana Mourão, irmã de Sicário, como afirmou a Polícia Federal em relatório encaminhado ao STF. A defesa do empresário apresentou novos argumentos para pedir a soltura dele e afirmou que as documentações que provariam sua versão não foram analisadas pelo STF na sessão que manteve Henrique preso. Ainda segundo a defesa, Henrique Vorcaro possuía relação contratual legítima com Mourão e com Manoel Rodrigues, conhecido como Manolo - apontado pela PF como bicheiro -, relativos a empreendimentos imobiliários e que são estes contratos que justificam o pagamento de R$ 400 mil reais menais ao integrantes da chamada "Turma", o grupo que atuava como uma espécie de milícia particular para Daniel Vorcaro e sua família, segundo a PF. "O peticionário não está procurando testemunhas para silenciá-las. O sinal é invertido: é ele que está sendo procurado para a quitação de dívidas e antecipação de créditos, sob a ameaça de ir para a prisão. Isso pode ser percebido no próprio relatório da PF, mas fica totalmente claro com a documentação que ora juntamos", afirma a defesa na manifestação ao STF. Os advogados pedem que Henrique seja solto e que ele e a própria Joana Mourão sejam ouvidos sobre o episódio para esclarecer os fatos. Mensagens apresentadas pela PF ao Supremo e tornadas públicas pelo ministro André Mendonça nesta quarta-feira (17) mostra que a irmã de Sicário procurou Henrique Vorcaro e Manolo cobrando pagamentos e afirmando que tinha informações suficientes para "acabar com a família inteira". As investigações identificaram que ela teve acesso aos dados da nuvem do celular de Sicário, que se matou na carceragem da PF em Minas após ser preso em março deste ano na operação Compliance Zero. O Valor apurou que a própria PF, porém, já tem acesso e está analisando o material desta nuvem, independente da irmã de Mourão. Contratos Na petição apresentada ao STF, a defesa de Henrique Vorcaro traz mais detalhes sobre os contratos existentes envolvendo seu cliente, Mourão e Manolo. Segundo a defesa, a contratação de ambos tinha relação com um empreendimento chamado Projeto Campo Grande, um conjunto habitacional a ser construído em um terreno de 120 hectares na zona oeste do Rio de Janeiro. A empresa de Henrique era a incorporadora do empreendimento e, segundo sua defesa, coube a Philippi Mourão, por meio de sua empresa, King Participações comprar uma parcela do terreno do empreendimento em troca de receber um percentual de 20% depois de o projeto Campo Grande ficar pronto. Segundo a defesa de Henrique Vorcaro, por ser ele o incorporador do empreendimento, caberia a ele fazer os pagamentos à empresa de Mourão. Com a morte dele após a prisão, a familia teria passado então a reivindicar a quitação "integral e antecipada" dos valores que seriam devidos. " Não obstante, ao longo dos últimos anos, parte dessa obrigação foi sendo antecipada pela controladora, Sierra Inv. Part. S/A, na forma de diversos pagamentos realizados entre 2023 e 2026, em parcelas mensais de R$ 100 mil e algumas de R$ 500 mil, que totalizam R$ 5,737 milhões", afirmou a defesa de Henrique Vorcaro. Segundo os advogados, o contrato de intermediação imobiliária que justifica estes pagamentos foi assinado somente em 2025 e foi apreendido pela PF nas buscas nos endereços de Henrique Vorcaro. "Foi nesse cenário que Manoel foi até Joana em BH [Belo Horizonte] e juntos buscaram uma solução na tentativa de transferir os contratos em nome de Philippi Mourão para sua genitora. Foi exatamente isso que foi repassado para Henrique por Manoel: 'vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo, no nome dela, mãe, para resolver a questão, amanhã dr André já entrará em contato com o dr Thiago para alinhar isso'", afirmou a defesa na petição Em relação a Manoel Rodrigues, apontado como integrante do jogo do bicho no Rio de Janeiro, a defesa de Henrique Vorcaro afirma que ele entrou no negócio por meio de Sicário e que ele tinha exclusividade para "intermediação da compra e venda de um outro terreno, adjacente àquele inicial (a Fazenda São Bento), e constituído por três lotes (7, 8 e 9), no “Barro Vermelho". Além da intermediação da compra do terreno, a empresa de Manolo teria prestado "serviços de mediação para composição extrajudicial de conflito com cerca de 10 posseiros, que ocupavam irregularmente partes dos terrenos adquiridos". Os pagamentos relativos a estes serviços foram acertados em contrato que, segundo a defesa, justifica o pagamento de parcelas mensais de R$ 400 mil a Manolo. Para a PF, os valores pagos mensalmente serviram para pagar os serviços prestados pelo grupo “A Turma” à família de Vorcaro. Cabe agora ao ministro André Mendonça analisar todos os argumentos apresentados e decidir se mantém Henrique Vorcaro preso ou não. O empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, do Banco Master — Foto: Reprodução/LinkedIn