PUBLICIDADE Investigação diz que repasses de R$ 1 milhão ocorriam mensalmente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro — Foto: Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 16:38 PF descobre esquema milionário de Sicário e banqueiro Vorcaro A Polícia Federal revelou que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", recebeu R$ 24 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro entre 2024 e 2025. Sicário fazia parte do grupo "A Turma", que realizava pagamentos e intimidações para Vorcaro. A investigação também destaca planos de emboscada contra o ex-jogador da NBA Rony Seikaly, envolvendo manipulação de informações e uso de sistemas federais para obter dados sigilosos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Polícia Federal afirmou em relatório enviado ao Supremo Tribunal (STF) que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", recebeu R$ 24 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, entre 2024 e 2025. Sicário era, de acordo com a investigação, um dos integrantes do grupo "A Turma", que prestava serviços para Vorcaro como pagamentos e intimidação de adversários. Ele morreu no início de março deste ano após atentar contra a própria vida quando foi presso. "Portanto, considerando que há registros de conversas entre o Policial Federal Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (vulgo Sicário) em outubro de 2023, quando este cobrou Daniel Vorcaro é plausível inferir que Sicário pode ter recebido, no mínimo, R$24.000.000,00, tendo em vista que estava incluido na lista de despesas mensais para receber R$1.000.000,00 por mês e que estes pagamentos perduram pelos anos de 2024 e 2025, excluídos os bônus", diz a representação da PF. Como mostrou O GLOBO, Vorcaro planejou uma emboscada com 'droga' para se vingar do DJ e ex-jogador da NBA Ronald Fred Seikaly. O plano começou a ser executado pelo grupo A Turma. Rony Seikaly jogou na NBA de 1988 a 1999. Ele teve um relacionamento com Martha Graeff, com quem tem uma filha. À época das mensagens, Graeff estava em um relacionamento com Vorcaro. Vorcaro chegou a cogitar uma emboscada com drogas contra Seikaly, e citou pressão da polícia e da milícia. Os integrantes da Turma, usando o login de uma servidora do Ministério Público Federal, chegaram a produzir um ofício falso à Interpol para buscar informações sobre Seikaly. As conversas ocorreram em outubro de 2024, entre Daniel Vorcaro e Felipe Mourão, conhecido também como "Sicário". Vorcaro, nos diálogos interceptados pela Polícia, sugeriu simular um incidente envolvendo drogas e disse que investiria até R$ 10 milhões, alegando que seria para "ensinar que com filho não se mexe". Outra possibilidade também seria atrair o DJ para o Brasil e submetê-lo a "pressão da milícia e da polícia". "A Turma" usou informações sigilosas de sistemas internos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal para coletar dados sobre Seikaly, como buscas no sistema de controle migratório da Polícia Federal. Os pagamentos ao Sicário eram feitos pelo empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Zettel também operava outros repasses de interesse do dono do Master. Em uma mensagem enviada no dia 11 de novembro de 2024, obtida pela PF, Zettel lista uma série de pagamentos que precisa fazer. "Que estão me cobrando. 1M - Sicário. 2M - Escosteguy. 5M - Saulo... Alguma orientação?", pergunta Zettel. Vorcaro responde em seguida: "Paga Sicário Diego". De acordo com a Polícia Federal, o trecho faz referência a um pagamento de R$ 1 milhão ao Sicário e de R$ 2 milhões ao jornalista Diego Escosteguy, dono do site O Bastidor. De acordo com a investigação, a publicação comandada por Escosteguy publicou um texto em 17 de novembro de 2025 que serviu de pretexto para que a defesa de Vorcaro entrasse com uma petição na Justiça Federal de Brasília contra “medidas cautelares eventualmente requeridas”. A Polícia Federal descobriu que Vorcaro teve acesso às informações sobre o inquérito sigiloso aberto sobre o Master para apurar as possíveis fraudes. A PF apura se houve vazamento da ordem de prisão de Vorcaro. De acordo com os investigadores, o jornalista “esquentou” uma informação de que Vorcaro era alvo de um processo criminal em tramitação na 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília. A reportagem foi usada pela defesa de Vorcaro em petição protocolada minutos depois de sua prisão ter sido decretada. Em nota, Escosteguy afirmou que "a relação com o empresário citado nos autos sempre foi estritamente profissional, no âmbito da atividade jornalística, caracterizando-se como relação de fonte — prática legítima, comum e indispensável ao exercício da imprensa".