Daniel Vorcaro (à dir.) e Ciro Nogueira em Courchevel, na França, em janeiro de 2025, segundo relatório da PF — Foto: Reprodução/PF O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, pagou ao menos R$ 6 milhões em “mesada” ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), segundo relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O pagamento, segundo as investigações, compreende um período que vai de junho de 2024 a agosto de 2025 e demonstraria a relação de proximidade entre Vorcaro e Nogueira. “Os diálogos analisados demonstram ciência, anuência e prioridade atribuída por Vorcaro à manutenção desses repasses, os quais, no intervalo temporal identificado, totalizaram montante mínimo estimado em R$ 6 milhões”, disse a PF. Ainda de acordo com os investigadores, só em viagens, o “benefício econômico direto atribuído a Ciro Nogueira, decorrente das viagens internacionais examinadas, perfaz o montante de R$ 468.721,78”. A PF afirma que foram identificados pagamentos de vantagens indevidas “materializadas, entre outras formas, por meio de aquisições societárias com expressivo deságio; pagamento periódico de valores mensais na ordem de R$ 300 mil ou, em algumas oportunidades, superiores; ao menos uma entrega de quantia de dinheiro em espécie; utilização de imóveis pertencentes ao banqueiro como se próprios fossem; além do custeio de despesas com hotéis, restaurantes e eventos de altíssimo luxo”. Como contrapartida, disse a PF, Nogueira teria atuado no Senado para exercer influência política e defender os interesses de Vorcaro. “Nesse contexto, o que se verifica é que da relação profissional espúria e marcada por típico mutualismo ilícito derivou o vínculo pessoal, o qual apresenta como consequência - e não como causa - da associação funcional mantida entre os investigados.” Uma das maiores provas de que Nogueira teria atuado para favorecer Vorcaro, apontou a PF, é a chamada “emenda Master”, que buscava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. “Cumpre relembrar que a fraude financeira arquitetada pelos gestores do Master tinha por alicerce um modelo de funding que, na prática, dependia da credibilidade do selo do FGC para sustentar uma expansão agressiva”, disse. Outro trecho do documento mostrou que Vorcaro determinou o envio de R$ 350 mil em espécie para Nogueira, em um avião particular. A hipótese é levantada com base em uma troca de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel, em agosto de 2025. No diálogo, Vorcaro escreve para o cunhado: “Resolve Ciro e galerias hoje. Manda agora lá”. Na resposta, Zettel envia uma lista em que dois dos itens são “Nota Ciro mais impostos” e “Espécie Ciro 350k”. O Valor entrou em contato com as defesas de Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.