Hipótese é levantada com base em uma conversa entre o ex-banqueiro e seu cunhado Fabiano Zettel, em 2025 Senador Ciro Nogueira (PP-PI) — Foto: Lula Marques/Agência Brasil O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, ordenou o envio de R$ 350 mil em espécie para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em um avião particular, segundo afirma a Polícia Federal em representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF). A representação da PF foi tornada pública hoje por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. A defesa do senador não se manifestou até o momento. O documento detalha a relação entre o senador e o ex-banqueiro, os quais, segundo a corporação, mantinham uma relação baseada no "recebimento de vantagens financeiras indevidas", como pagamento regular de valores e custeio de viagens internacionais. "Tal vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos", diz a PF em um trecho do documento. O pagamento em espécie dos R$ 350 mil seria mais um indício desse tipo de vantagem ilícita, segundo a PF. A hipótese é levantada com base em uma conversa entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel, em agosto de 2025. Zettel é ex-pastor da Igreja Lagoinha e apontado pelas investigações de ser o operador financeiro das fraudes relacionadas ao Master. No diálogo, Vorcaro escreve para o cunhado: "Resolve ciro e galerias hoje. Manda agora lá". Na resposta, Zettel envia uma lista em que dois dos itens são "Nota Ciro mais impostos 2" e "Espécie Ciro 350k". No entendimento da PF, trata-se do senador do PP. O dinheiro teria sido levado em uma aeronave já usada pelo ex-banqueiro em outras ocasiões para viagens particulares. No relatório, para corroborar as suspeitas, a PF menciona uma reportagem do portal ICL, em que o piloto Mauro Caputti Mattosinho relatou ter transportado, em agosto de 2024, uma sacola que aparentava ter dinheiro vivo e disse que passageiros mencionaram o nome de Ciro. Nesse voo, ocorrido um ano antes da troca de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, estaria entre os passageiros Roberto Leme, ainda de acordo com o relato do piloto. A PF suspeita se tratar do empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco". Ele foi investigado pela Operação Carbono Oculto ano passado por suspeita de envolvimento com esquema de fraudes fiscais e corrupção no setor de combustíveis, que teria conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O relatório não esclarece o vínculo entre o voo ocorrido em agosto de 2024 e as mensagens trocadas em agosto de 2025. O documento afirma que o cenário relatado indica "fortemente a prática dos crimes de corrupção passiva/ativa". Procurada, a defesa do senador Ciro Nogueira afirmou que não vai se manifestar neste momento e que apresentará nos autos os esclarecimentos técnicos para "refutar as descabidas insinuações policiais". A defesa de Roberto Augusto Leme da Silva não respondeu até a publicação deste texto. Ao jornal O Globo, a defesa do empresário disse não haver qualquer relação entre seu cliente e o PCC, além de negar os fatos mencionados no relatório da PF. Também repudiou qualquer tentativa de vincular o nome de Leme a Vorcaro.
PF afirma que Vorcaro mandou R$ 350 mil a Ciro Nogueira em avião particular
Hipótese é levantada com base em uma conversa entre o ex-banqueiro e seu cunhado Fabiano Zettel, em 2025











