Seleção persa jogou contra Nova Zelândia em Los Angeles com tempo restrito no país por exigência do governo Trump 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rezaeian marcou um dos gols do Irã no empate da seleção em 2 a 2 com a Nova Zelândia — Foto: Dan Mouhtaropoulos/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 14:51 Estreia do Irã na Copa é marcada por restrições dos EUA e frustração da equipe A estreia do Irã na Copa do Mundo foi marcada por restrições rigorosas nos EUA, impostas pelo governo Trump, que limitaram a permanência da equipe no país. Paulo Alexandre Araujo, parte da equipe técnica, relatou dificuldades como interrogatórios na fronteira e preparação inadequada dos jogadores. O capitão Mahdi Taremi e o técnico Amir Ghalenoei expressaram frustração, enquanto o Irã busca flexibilização das regras junto à Fifa. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Paulo Alexandre Araujo, especialista em desempenho esportivo e recuperação física, já trabalhou com alguns dos melhores jogadores de futebol do mundo. Mas nada, segundo ele, poderia tê-lo preparado para as condições que enfrentou ao auxiliar a seleção nacional do Irã durante a Copa do Mundo. O governo dos Estados Unidos impôs limites rigorosos de permanência ao Irã, obrigando a equipe a deixar imediatamente o estádio e o território norte-americano após disputar suas partidas da Copa do Mundo no país, afirmou Araujo, integrante da delegação iraniana. Depois da estreia contra a Nova Zelândia, Araujo precisou enfaixar jogadores durante o voo de volta à base da equipe no México — um tratamento que normalmente seria realizado no vestiário. Nenhuma outra seleção participante da Copa enfrenta as mesmas restrições. De acordo com essas regras impostas pelo governo americano, a delegação iraniana só pode entrar nos Estados Unidos um dia antes de cada partida e, após o jogo, dispõe apenas do tempo necessário para chegar ao aeroporto e deixar o país. O capitão do Irã, Mahdi Taremi, e o técnico Amir Ghalenoei manifestaram frustração com o tratamento recebido antes e depois da partida contra a Nova Zelândia. O confronto tinha uma importância muito maior do que um jogo comum entre duas seleções que raramente exercem grande influência esportiva no torneio. A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã colocou a participação iraniana sob intenso escrutínio durante meses. Além disso, Los Angeles abriga uma grande comunidade da diáspora iraniana e é um importante foco de oposição ao governo de Teerã. — Houve muitas coisas injustas, sabe? — disse Araujo em entrevista em Tijuana, onde a seleção iraniana permanece entre os jogos. Segundo ele, os problemas começaram assim que a equipe desembarcou nos Estados Unidos, no domingo. Vários membros da delegação, incluindo o próprio Araujo, foram submetidos a interrogatórios detalhados por agentes de fronteira americanos. O processo, segundo ele, levou horas e foi seguido por outra longa inspeção antes que pudessem embarcar no ônibus da equipe. O tempo gasto nos procedimentos obrigou a seleção a alterar seus planos. Em vez de descansar no hotel, os jogadores seguiram diretamente para o SoFi Stadium, em Inglewood, local da partida de estreia, para cumprir compromissos com a imprensa e participar de uma visita de reconhecimento previamente agendada. Em uma entrevista coletiva realizada no domingo, Taremi pediu desculpas pelo atraso e descreveu a chegada da equipe aos Estados Unidos como tensa. O episódio se somou a outros problemas enfrentados nos meses anteriores, incluindo uma longa espera pela emissão de vistos e a mudança tardia do local de treinamento da equipe de Tucson para Tijuana. Segundo Araujo, o impacto sobre os jogadores foi tão significativo que é difícil medi-lo completamente. A seleção iraniana precisou atuar sem seus assessores de imprensa, analistas e outros membros da comissão técnica responsáveis por tarefas fundamentais, como a gestão das substituições durante as partidas. — Quando você tem jogadores esperando duas ou três horas no aeroporto, chegando e sendo cercados por homens armados com metralhadoras e tudo mais, eles não estão acostumados com isso — afirmou. Após a partida, Ghalenoei descreveu sua equipe aos jornalistas como “a mais oprimida” do torneio. Taremi acrescentou: — Tudo é um desastre para nós. Um dirigente da equipe informou que o Irã enviou uma carta à Fifa pedindo flexibilização das regras de permanência nos Estados Unidos, incluindo mais tempo de preparação antes dos jogos. A próxima partida da seleção será ao meio-dia de domingo contra a Bélgica, horário que, segundo os treinadores, reduz ainda mais o tempo disponível para adaptação. Em comunicado enviado por e-mail, um porta-voz da U.S. Customs and Border Protection afirmou que todos os 55 integrantes da seleção iraniana, incluindo jogadores e membros da comissão técnica, foram inspecionados e admitidos no país sem incidentes ao chegarem ao Aeroporto Internacional de Los Angeles em 14 de junho. O comunicado acrescentou que as autoridades buscaram equilibrar “medidas rigorosas de segurança com procedimentos eficientes” em todas as cidades-sede e pontos de entrada. A Fifa não respondeu aos pedidos de comentário. Enquanto o ônibus da equipe seguia para o aeroporto na segunda-feira, Araujo tentou acelerar ao máximo os tratamentos de recuperação dos atletas. Segundo ele, normalmente cada jogador permanece cerca de 12 minutos em uma banheira de gelo após a partida, mas, devido à falta de tempo, cada um ficou apenas cerca de um minuto. — Foi praticamente jogar eles na água, tirar, tomar um banho rápido e correr, porque a informação era de que precisávamos sair imediatamente —relatou. Após o primeiro jogo do Irã, a equipe médica não conseguiu realizar uma avaliação completa dos atletas nem discutir adequadamente possíveis lesões sofridas durante a partida, disse Araujo. O embarque no avião também apresentou dificuldades. Um posto de controle foi instalado a poucos metros da aeronave, onde jogadores e membros da delegação passaram por uma segunda inspeção, dois de cada vez, mesmo depois de já terem passado pelos controles de segurança e imigração dentro do aeroporto. — Levou mais de três horas para conseguirmos entrar no avião — afirmou. A equipe só conseguiu retornar à sua base em Tijuana depois das duas horas da manhã. Quando o presidente da Fifa, Gianni Infantino, entrou no vestiário iraniano após a partida para oferecer palavras de incentivo, Taremi respondeu que a equipe precisava de mais apoio. Araujo acredita, porém, que esses apelos dificilmente mudarão a situação da seleção nos jogos restantes. — Ninguém se importa — disse. — Essa não é uma forma adequada de tratar atletas quando se fala em competição justa.
Irã teve estreia 'estressante' na Copa do Mundo devido a limites rigorosos de permanência nos EUA, relata integrante da equipe médica
Seleção persa jogou contra Nova Zelândia em Los Angeles com tempo restrito no país por exigência do governo Trump













