O Reino Unido acaba de proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, repetindo a medida implementada na Austrália há alguns meses. É uma ação emocionalmente satisfatória e politicamente lucrativa. É também, ao contrário do que pode imaginar o senso comum, uma resposta que deixa as crianças mais vulneráveis aos riscos desses ambientes, não mais protegidas.
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É inegável que as redes sociais operam com objetivos que não correspondem ao melhor interesse das crianças. A preocupação da sociedade é mais do que legítima, assim como a frustração por não termos conseguido até aqui frear os riscos. O medo, porém, nos leva a abraçar ações que transmitem firmeza, mas erram ao simplificar o problema: o banimento regula as crianças, não as plataformas, e deixa de tratar dos problemas estruturais desses ambientes.
A experiência australiana já dá sinais de que não teve os resultados esperados: um estudo do National Bureau of Economic Research mostra que 75% dos adolescentes de 14 e 15 anos permanecem online apesar da proibição, muitas vezes migrando para ambientes menos regulados. As empresas não são pressionadas a proteger quem, em tese, não deveria estar lá. Outros problemas relatados por especialistas: adolescentes que vivenciam situações perigosas não as reportam a adultos de confiança, porque reportar exigiria admitir a própria transgressão. E os pais, acalmados por um falso senso de segurança, ficam menos atentos à vida digital dos filhos.














