O Congresso brasileiro está debatendo projetos para proibir redes sociais a menores de 16 anos, seguindo o exemplo da Austrália, Portugal e outros países. O tema é preocupante porque adolescentes brasileiros usam várias vezes ao dia e todos os dias as quatro principais plataformas. Isso parece estar associado com a dificuldade de concentração nas aulas e o aumento da ocorrência de crimes digitais. Porém, o diagnóstico não sustenta o remédio proposto.
A narrativa comum é que o uso de redes sociais provoca problemas reais, o que é verdade. No Reino Unido, um estudo com 11 mil adolescentes correlacionou tempo em redes a sintomas depressivos, com efeito mais forte entre meninas. Na Coreia do Sul, análises mostram que mais tempo de tela aumenta problemas de saúde mental e ideação suicida.
Por outro lado, na média geral, esse efeito parece ser pequeno e heterogêneo, concentrado no uso intenso da internet, maior em meninas e em contextos de baixa renda. Outros fatores pesam tanto ou mais em prejudicar os adolescentes, por exemplo, a saúde mental dos adultos responsáveis e as crises familiares.
Há bastante evidência sobre o incentivo que as plataformas têm para oferecer produtos cada vez mais agressivos para prender atenção, e os adolescentes são as principais vítimas. Documentos internos vazados em 2021 mostraram que uma grande empresa expandiu deliberadamente um algoritmo de engajamento mesmo sabendo que piorava a relação de adolescentes com o próprio corpo. Recentemente, júris americanos reconheceram e responsabilizaram duas plataformas por design deliberadamente viciante, com indenizações de dezenas de milhões de dólares.






