Faz quase seis meses que a Austrália se tornou pioneira mundialmente no banimento das redes sociais para menores de 16 anos. Brasileiros que moram no país relatam que o uso dessas plataformas diminuiu entre crianças e adolescentes, mas que ainda há muitas tentativas de se burlar as restrições.
"Conhecemos menores de 16 anos que continuam tendo acesso a redes sociais. A proibição não é tanto ‘preto no branco’. Tem várias nuances", conta à Folha Carla Alzamora, que se mudou para a Austrália em 2018 com o filho, Caetano, hoje com 13 anos —a família mora na capital do país, Camberra.
Ela sempre supervisionou o uso de telas do filho, que chegou a usar redes sociais por um breve período. "Mas eu logo cortei, antes mesmo da restrição do governo."
Caetano aprova a lei, acha "muito bom que crianças e adolescentes estejam menos no celular". Mas conta que "a proibição funcionou em alguns lugares e, em outros, não". "Algumas redes sociais ficaram mais difíceis de acessar, mas ainda é possível entrar, e outros aplicativos nem tentaram cumprir a regra."
Apesar de cerca de 4,7 milhões de contas de usuários de até 16 anos terem sido removidas pelas plataformas na Austrália, a verificação de idade nem sempre é efetiva. As tentativas de se burlar as restrições costumam envolver o uso de contas de pessoas mais velhas, declarações falsas de idade, a utilização de VPNs (ferramentas que mascaram a localização do usuário) e a migração para plataformas menores, com checagem menos rigorosa.








