Sozinho e insone na antiga casa da família, em Curitiba, Felipe Hirsch viveu um momento de irritação com a assistente de inteligência artificial Claude, com quem havia passado 15 horas seguidas conversando, como parte das pesquisas para a montagem de "Orkhéstra Phántasma", sua nova peça.
O "diálogo" gerou um arquivo de 500 páginas e um alerta da ferramenta: "Vai dormir. Só volto às 6h".
Falante, curioso e erudito, Hirsch esgotou o sistema com a sua insistência. A maratona virtual ocorreu em meio ao silêncio do imóvel vazio, onde se hospeda uma vez por mês para visitar a mãe, hoje vivendo em uma clínica especializada no tratamento da doença de Alzheimer, na capital paranaense.
Ali, no espaço ocupado por lembranças da infância e da juventude, o diretor e dramaturgo viu fantasmas na sala de jantar —o padrinho passava a travessa de comida, a mãe conversava, todos riam.
"Eu olhava, via e ouvia. Ao mesmo tempo, cortava para o silêncio profundo. Nunca tive uma sensação de tempo tão forte", diz ele.










