No Panteão das maiores cantoras brasileiras da história, a baiana de voz grave e inconfundível completa oito décadas nesta quinta-feira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Maria Bethânia completa 80 anos nesta quinta-feira (18) — Foto: Leo Martins/Agência O Globo Maria Bethânia gravou tudo o que quis. A intérprete baiana, que completa 80 anos nesta quinta-feira, 18 de junho, tem uma discografia tão extensa quanto singular. Do irmão Caetano Veloso a Roberto Carlos, das cantigas populares às trilhas de novelas, do sertanejo ao rock, Bethânia imortalizou sucessos atemporais com sua voz grave, forte e inconfundível. Veja, abaixo, uma lista com 80 gravações definitivas da cantora: ‘De manhã’ (Caetano Veloso). Na abertura de “Maria Bethânia” (1965), disco de estreia da artista, esta é a primeira música gravada de Caetano Veloso ‘Carcará’ (João do Vale e José Cândido). No mesmo disco, a canção do espetáculo “Opinião” (estreia profissional de Bethânia) que, embora já tivesse sido cantada por Nara Leão, entraria para a história com o timbre grave e inconfundível de Bethânia. Foi esta interpretação que alçou a então jovem de 19 anos ao estrelato nacional – e foi dela que Bethânia fugiu nos anos seguintes, para não se tornar refém ‘Sol negro’ (Caetano Veloso). Escrita por Caetano para Bethânia e Gal Costa cantarem juntas no espetáculo “Nós, por exemplo...” (1964), que inaugurou o Teatro Vila Velha, em Salvador, a música uniu pela primeira vez o grave de Bethânia ao agudo de Gal. Quando a cantaram naquela ocasião, segundo relato de Caetano, as duas “foram ovacionadas como se fossem divas consagradas” ‘Baby’ (Caetano Veloso). Escrita por Caetano a pedido de Bethânia, que acabou não querendo gravá-la, a música foi lançada (e imortalizada) por Gal, como parte do movimento tropicalista. Um registro raro, no entanto, em “Recital na Boite Barroco” (1968), guarda uma versão ao vivo de Bethânia ‘Lama’ (Paulo Marques e Aylce Chaves). No mesmo show-disco, outro grande destaque da jovem cantora: “Lama”, que já havia sido gravada por Núbia Lafayette e Dolores Duran ‘Olhos nos olhos’ (Chico Buarque). Lançada por Bethânia em “Pássaro proibido” (1976), a música de Chico Buarque (com quem desenvolveu uma parceria musical e uma amizade duradouras) logo se tornaria um dos maiores sucessos da sua carreira ‘Canções e momentos’ (Milton Nascimento e Fernando Brant). A música foi escrita para ela por Milton Nascimento depois dele ter se emocionado com alguma de suas interpretações no rádio. “Há canções e há momentos/Que eu não sei como explicar/Em que a voz é um instrumento/Que eu não posso controlar”, começa a letra ‘Oração da Mãe Menininha’ (Dorival Caymmi). Reza a lenda que a versão ao vivo de Gal e Bethânia da música em homenagem à ialorixá baiana era a preferida da homenageada ‘Álibi’ (Djavan). Primeira música de Djavan gravada por Bethânia, a canção acabou dando título ao álbum que se tornou o primeiro de uma cantora brasileira a vender mais de 1 milhão de cópias, em 1978 ‘Sonho meu’ (Dona Ivone Lara). Bethânia foi à casa de Dona Ivone Lara para buscar alguma música para gravar, mas nada a animou. Quando estava indo embora, ouviu a sambista cantarolando os versos da então inacabada “Sonho meu”, e voltou imediatamente. Gravada com Gal, o samba entrou em “Álibi” (1978) ‘Um índio’ (Caetano Veloso). Parte do repertório do show-disco “Doces bárbaros” (1976), que marcou o reencontro de Bethânia, Caetano, Gal e Gil nos palcos, a música cantada pela intérprete (com os amigos no coro do refrão) é um dos pontos altos e mais fortes do projeto ‘Esotérico’ (Gilberto Gil). Também parte dos “Doces bárbaros” (1976), a música foi escrita por Gil para Gal e Bethânia, que voltaram a cantá-la juntas em 2002, no reencontro dos quatro ‘O que é, o que é?’ (Gonzaguinha). Música mais gravada por Bethânia segundo dados do Ecad, a canção de Gonzaguinha costuma aparecer com frequência no “BIS” da cantora. “Essa canção eu sempre canto. Termina um show e eu gosto de cantar. Cada vez ela é mais útil, ela me traduz mais e faz melhor efeito, ajuda mais”, disse Bethânia na gravação do show de 40 anos de carreira, “Tempo, tempo, tempo, tempo” (2006). ‘Depois de ter você’ (Adriana Calcanhotto). Apesar de ter sido lançada por Bethânia no álbum de estúdio “Maricotinha” (2001), foi a versão ao vivo com Adriana Calcanhotto, no show “Noite luzidia”, naquele mesmo ano, que entrou para a história. Num clima de intimidade que só ajuda a canção, as duas terminam a apresentação com um selinho, e são ovacionadas pela plateia. ‘Pronta pra cantar’ (Caetano Veloso). Dueto de 1990 gravado a distância com Nina Simone (que mandou a voz dos Estados Unidos), a música foi feita por Caetano a pedido de Bethânia, que queria cantar com a americana. Em 2019, ela abriu o show “Claros breus”. ‘As canções que você fez pra mim’ (Roberto Carlos e Erasmo Carlos). Bethânia já havia gravado Roberto e Erasmo diversas vezes (e aqui vale lembrar que foi ela quem mandou, ainda nos anos 60, Caetano “ouvir aquela canção do Roberto”), mas foi com o disco “As canções que você fez pra mim” (1993), todo com o repertório da dupla, que essas canções se tornaram indissociáveis da sua carreira ‘A força que nunca seca’ (Vanessa da Mata e Chico César). Considerada por Vanessa da Mata como uma “madrinha”, Bethânia “descobriu” o lado compositora da artista gravando a música que deu nome ao álbum de 1999. Dois anos depois, também gravaria “O canto de Dona Sinhá (toda beleza que há)”. ‘É o amor’ (Zezé Di Camargo). No mesmo álbum, a gravação do hit sertanejo causou furor na imprensa e entre alguns fãs. “Era um momento em que ia fazer um disco olhando para o interior, para a região onde nasci, o Nordeste. É uma canção que sinto que toca toda essa gente do interior. Faz parte do meu pensamento, não está fora de nada”, disse à Folha de São Paulo, na época ‘Mano Caetano’ (Jorge Ben Jor). Escrita por Jorge Ben para Bethânia, que a gravou em dueto com ele em “A tua presença” (1971), “Mano Caetano” é uma homenagem a Caetano, que estava exilado em Londres ‘2 de junho’ (Adriana Calcanhotto). Gravada em “Noturno” (2021), último álbum de inéditas de Bethânia, a canção-manifesto ganha forças na dramaticidade da intérprete, que canta como uma forma de pedir justiça para o caso do menino Miguel, morto aos 5 anos sob os cuidados da patroa da mãe, em Recife, em 2020 ‘Prudência’ (Tim Bernardes). Primeira (e até então única) música do jovem paulistano Tim Bernardes gravada por Bethânia (também em “Noturno”), a canção foi escrita para ela ‘Fé’ (Iza, Sergio Santos, Pablo Bispo, Ruxell, Lukinhas, Henrique Bacellar, Junior Pierro, WK e Fabinho Negramande). A música de Iza foi a grande surpresa da turnê “Caetano e Bethânia”, que virou álbum e ganhou um Grammy. Foi ideia de Bethânia incluir a canção que pede “fé pra enfrentar esses filha da puta” ‘Vera Cruz’ (Xande de Pilares e Paulo César Feital). A música foi escrita para a turnê de 60 anos de carreira de Bethânia e lançada como single (“Chefe de outra pátria não me induz/Quem vai me guiar...”, diz a letra)‘Yayá Massemba’ (José Carlos Capinam e Roberto Mendes). Lançada em “Brasileirinho” (2003), a música é uma ode à ancestralidade brasileira, à resistência cultural e ao sincretismo religioso ‘Pra dizer adeus’ (Edu Lobo e Torquato Neto). O álbum “Edu e Bethânia” (1966) marca a parceria histórica da cantora com Edu Lobo, com diversas músicas que se tornaram clássicos, incluindo “Pra dizer adeus” ‘Errei sim’ (Ataulfo Alves). Desde sempre Bethânia falou sobre como considera Dalva de Oliveira a maior cantora brasileira, além de ser sua preferida. Em “Dezembros” (1986), gravou uma das músicas eternizadas pelo ídolo ‘Ave Maria no morro’ (Herivelto Martins). Outra música do repertório de Dalva foi gravada mais recentemente, como participação em um álbum de Alaíde Costa, “Uma estrela para Dalva” (2025) ‘Atiraste uma pedra’ (Herivelto Martins e David Nassser). Outra do repertório de Dalva, a música aparece no encontro dos “Doces bárbaros” (1976), em versão com Caetano, Gal e Gil, e em “Alteza” (1981), em versão solo. ‘Trampolim’ (Maria Bethânia). Uma das raríssimas composições de autoria de Bethânia, a música foi gravada em “Drama” (1972), e não há registros de ter sido incluída no repertório de algum show ‘Drama’ (Caetano Veloso). No mesmo álbum, a música homônima de Cetano explora o conflito entre a representação e a autenticidade dentro da arte (“Eu minto mas minha voz não mente...”) ‘Iansã’ (Caetano Veloso e Gilberto Gil). Ainda em “Drama” (1972), uma música sobre a Orixá que rege a cabeça da intérprete ‘O leãozinho’ (Caetano Veloso). Música do repertório de Caetano, Bethânia a cantou no show-disco de 1978 feito em dupla com o irmão (que cantou “Carcará”) ‘Comida’ (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto). A música dos Titãs entrou no repertório do show “Brasileirinho” e ganhou uma interpretação visceral de Bethânia ‘A casa é sua’ (Arnaldo Antunes). Bethânia incluiu a música de Arnaldo Antunes no show-álbum “Carta de amor” (2013) ‘Carta de amor’ (Maria Bethânia e Paulo Cesar Pinheiro). No hall das raras composições da intérprete, a música-manifesto alterna momentos cantados com outros falados (“Não mexe comigo/Que eu não ando só”) ‘O lado quente do ser’ (Marina Lima e Antonio Cicero). Na música dos irmãos que está no disco “Talismã” (1980) - e entrou no repertório da turnê dos 60 anos de carreira -, Bethânia fala do prazer de ser mulher ‘Gema’ (Caetano Veloso). No mesmo disco, um dos pontos altos é a canção de Caetano, que no ano seguinte foi gravada por ele ‘Gita’ (Raul Seixas e Paulo Coelho). Desde os anos 1970 presente em apresentações da cantora, a música de Raul Seixas também esteve na turnê de Caetano e Bethânia, em 2024 ‘Não identificado’ (Caetano Veloso). Esta era a música preferida de José Teles Veloso, pai de Caetano e Bethânia, segundo relatos dela ‘Reconvexo’ (Caetano Veloso). Escrita para Bethânia, que a lançou em “Memória de pele” (1989), a música (que ela já chegou a dizer que a define) se tornou um dos maiores sucessos da sua carreira ‘Cheiro de amor’ (Duda, Jota, Paulo Sergio Kostenbader e Ribeiro). Jingle de um motel em Salvador que circulava nas rádios em 1979, a música encantou Bethânia, que a gravou em “Mel”, daquele mesmo ano, e a transformou em um de seus maiores sucessos ‘Mel’ (Caetano Veloso e Waly Salomão). Letra encomendada por Bethânia para Waly, o poeta enfrentou dificuldades para concluí-la. Tendo se tornado um dos seus maiores sucessos, a cantora ganhou a alcunha de “Abelha-rainha da MPB” ‘Dindi’ (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira). Um dos maiores sucessos de Tom Jobim, a música foi escolhida por Bethânia para integrar o repertório de “Meus quintais” (2014) ‘Baioque’ (Chico Buarque). A música integrou o repertório do filme musical “Quando o carnaval chegar” (1972), de Cacá Diegues, que mostrou a faceta atriz de Bethânia (que atuou com Chico e Nara Leão) ‘Minha mãe’ (César Lacerda e Jorge Mautner). Último dueto de Bethânia e Gal, a música do álbum “A pele do futuro” (2018), de Gal, quebrou um jejum de 28 anos sem uma parceria das duas, que a gravaram à distância. A letra de Mautner é uma homenagem às mães das duas, Mariah (1905-1993) e Dona Canô (1907-2012), e à Nossa Senhora ‘Samba da bênção’ (Vinícius de Moraes e Baden Powell). Esta música foi gravada em “Que falta você me faz” (2005), álbum todo com músicas de Vinícius e que celebrou os 40 anos de carreira da intérprete ‘Rosa dos ventos’ (Chico Buarque). A música deu o nome ao show-disco de 1971, que se tornou antológico e definidor na carreira de Bethânia ao consolidar a sua dramaturgia que mescla músicas e textos ‘Movimento dos barcos’ (Jards Macalé). No mesmo disco está a canção de Jards Macalé - que ainda apareceria em “Drama - Luz da noite” (1973) e “Dentro do mar tem rio (ao vivo)” (2007). Grande parceiro musical de Bethânia, Macalé chegou a dar aulas de violão para ela no começo da carreira ‘Kirimurê’ (Jota Velloso). Música de autoria de um dos sobrinhos de Bethânia, ela foi incluída em “Mar de Sophia” (2006), trabalho dedicado à obra da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) ‘Todo amor que houver nesta vida’ (Cazuza e Frejat). A música do Barão Vermelho foi incluída por Bethânia no show-álbum “Maricotinha - Ao vivo” (2002) ‘Gostoso demais’ (Dominguinhos e Nando Cordel). A música de Dominguinhos foi gravada por Bethânia em “Dezembros” (1986) ‘Salve as folhas’ (Jaime Alem, Geronimo e Ildasio Tavares). A música foi lançada em “Memória de pele” (1989), em gravação com Sandra Sá, mas voltou à discografia de Bethânia em “Brasileirinho” (2003), unida ao poema “O descobrimento”, de Mário de Andrade ‘Pedrinha miudinha’ (domínio público). Cantiga popular, a música abre o álbum “Pirata” (2006), e deu nome ao documentário de Andrucha Waddington lançado em 2007, que acompanha a intimidade da cantora ‘Motriz’ (Caetano Veloso). Esta música foi escrita a partir de uma história contada por Bethânia, de uma emoção sentida durante uma viagem de trem com a mãe, Dona Canô, a Candeias. Ela abre o disco “Ciclo” (1983) ‘Eu e água’ (Caetano Veloso). A música que fala sobre a relação íntima de Bethânia com a água é um dos grandes sucessos de “Maria” (1988) ‘Sussuarana’ (Heckel Tavares e Luiz Peixoto). O clássico do cancioneiro rural brasileiro ganhou uma regravação de Bethânia em dueto ao vivo com a sua grande amiga Nana Caymmi (1941-2025), no show de “Brasileirinho” (2004). ‘Não dá mais pra segurar (explode coração)’ (Gonzaguinha). A música de Gonzaguinha integrou o repertório de “Álibi” (1978) ‘Começaria tudo outra vez’ (Gonzaguinha). O bolero foi lançado por Gonzaguinha em 1976, mas foi com Bethânia, em “Pássaro da manhã” (1977), que ele foi imortalizado ‘Gente’ (Caetano Veloso). No mesmo disco, uma canção com forte viés político, cuja letra diz que “Gente é pra brilhar/Não pra morrer de fome” ‘Purificar o Subaé’ (Caetano Veloso). Também política, a música eternizada por Bethânia em “Alteza” (1981) era um pedido de socorro contra a crescente poluição do Rio Subaé, em Santo Amaro ‘Oração ao tempo’ (Caetano Veloso). Bethânia cantou a música do irmão no show “Tempo, tempo, tempo, tempo” (2005). Na turnê dos dois, em 2024, ela virou um dueto ‘As ayabás’ (Caetano Veloso e Gilberto Gil). Em “Pássaro proibido” (1976) e nos “Doces bárbaros” (1976), quando virou um dueto com Gal, a música é um xirê que exalta as divindades femininas do candomblé ‘Sonho impossível’ (Mitch Leigh e Joe Darion). Adaptação de Chico Buarque e Ruy Guerra para música em inglês de musical da Broadway, a música que entrou em “A cena muda” (1974) simbolizava esperança e resistência contra a opressão da ditadura militar ‘Tocando em frente’ (Almir Sater e Renato Teixeira). A canção, que inicialmente seria gravada por Renato, acabou ficando com Bethânia, que a imortalizou no álbum “25 anos” (1990) ‘Feita na Bahia’ (Roque Ferreira). Biográfica, a música de “Encanteria” (2009) funciona como uma apresentação da própria cantora: “Fui feita na Bahia/Num terreiro de Oxum/Os tambores sagrados/Bateram pra mim...” ‘Dona do dom’ (Chico César). Outra letra biográfica que também explora as raízes religiosas de Bethânia, a música lançada em “Maricotinha” (2001) diz: “Dona do dom que Deus me deu/Sei que é Ele a mim, que me possui” ‘Gota de sangue’ (Angela Ro Ro). Com tom confessional, a música foi lançada por Bethânia em “Mel” (1979), meses antes de Ro Ro se lançar como cantora e gravar outra versão dela ‘Viramundo’ (Gilberto Gil e José Carlos Capinan). Feita para o espetáculo “Arena canta Bahia” (1965), a música tinha uma poesia engajada que encontrou força na voz da jovem Bethânia ‘Balada de Gisberta’ (Pedro Abrunhosa). Homenagem à história de Gisberta Salce Júnior, brasileira transexual que foi assassinada cruelmente em Portugal, a música de 2007 ganhou novos contornos com Bethânia, que a incluiu no show “Amor festa devoção” (2010) ‘Beira-mar’ (José Carlos Capinam e Roberto Mendes). Grande sucesso de “Mar de Sophia” (2006), a música foi eleita “Canção do Ano” no Prêmio Tim de Música, em 2007 ‘Yemanjá Rainha do mar’ (Pedro Amorim e Paulo Cesar Pinheiro). No mesmo álbum, outro destaque é a exaltação à Iemanjá ‘Louvação à Oxum’ (Ordep Serra e Roberto Mendes). A música exalta a relação de Bethânia com a Orixá se tornou um dos maiores destaques de “Olho d’água” (1992) ‘Coração ateu’ (Sueli Costa). A versão de Bethânia se consagrou ao entrar na trilha da novela “Gabriela” (1975), da TV Globo ‘Encouraçado’ (Sueli Costa e Tite de Lemos). Ao lado de outras composições de Sueli, esta se imortalizou no espetáculo “A cena muda” (1974), e foi um marco na parceria das duas ‘Âmbar’ (Adriana Calcanhotto). Música-título do álbum de 1996, ela se chamaria inicialmente de “Desde que vim morar nos seus olhos”. Anos depois, Calcanhotto declararia que Bethânia melhora as suas músicas ‘Onde estará o meu amor’ (Chico César). No repertório do mesmo álbum, a música integrou, em 2019, a trilha da novela “Amor de mãe”, da TV Globo, e viralizou nas redes sociais ‘Sábado em Copacabana’ (Dorival Caymmi e Carlos Guinle). A interpretação de Bethânia foi tema de abertura da novela “Paraíso tropical”, de 2007, da TV Globo ‘Romaria’ (Renato Teixeira). Bethânia gravou a canção em “A força que nunca seca” (1999), e chegou a dizer, na época, que a versão de Elis Regina era a definitiva, a sua era trazer sua “assinaturazinha” ‘Fogueira’ (Angela Ro Ro). Outra canção marcante de Ro Ro no repertório de Bethânia, a música esteve em “Ciclo” (1983) ‘Cálice’ (Chico Buarque). Outro momento central na trajetória da intérprete, a gravação de “Cálice” (em “Álibi”, de 78) reforça a sua força política