Parlamentares criticaram a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF por coação à Justiça Ministro do STF Alexandre de Moraes — Foto: Victor Piemonte/STF Um dia após a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro à pena de quatro anos e dois meses por coação à Justiça, parlamentares líderes da oposição ao governo na Câmara dos Deputados criticaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e voltaram a mirar o ministro Alexandre de Moraes. “O ministro Moraes é parcial, é violador do devido processo legal. Está claro o que está acontecendo no Brasil”, disse o líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), ao apresentar um novo pedido de impeachment contra o vice-presidente da Corte. Segundo o parlamentar, são “vários” artigos da Constituição sendo “rasgados pela Suprema Corte brasileira” e o Congresso hoje “está fechado pelo STF”. “O Congresso hoje não tem autonomia de nada [...] Mas nós protocolaremos um milhão de processos de impeachment [contra o Moraes] se for necessário”, afirmou em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (17). No novo pedido de impeachment, a oposição argumenta que é preciso a apuração da “responsabilidade político-jurídica" do ministro, diante da “prática de condutas incompatíveis com os deveres de imparcialidade, independência, prudência e autocontenção inerentes ao exercício da magistratura constitucional". A Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro por coação à Justiça na terça-feira (16). O ex-deputado foi considerado culpado por atuar nos Estados Unidos para sancionar autoridades brasileiras responsáveis por investigar e julgar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro na trama golpista, o que inclui integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do próprio STF. Ao Valor, a assessoria do STF afirmou que os argumentos da decisão estão postos no julgamento. Eduardo Bolsonaro recebeu pena de quatro anos e dois meses de reclusão, com início em regime semiaberto. Os ministros ainda determinaram a sua inelegibilidade por oito anos, além de decretar a perda do seu cargo de escrivão da Polícia Federal (PF). O processo ocorreu sem a presença do ex-deputado, que mora nos EUA desde o início do ano passado e não constituiu advogado, sendo representado pela Defensoria Pública da União (DPU). Para a deputada Júlia Zanatta (PL-SC), existe “uma intenção de pegar toda a família Bolsonaro". Ela afirmou que o Brasil precisa “reequilibrar a força dos poderes”, alegando que o ministro também atuou em diversas funções no processo de condenação de Eduardo Bolsonaro. “Cada poder é importante, mas existe um juiz, Alexandre Moraes, que configura hoje como vítima, acusador, promotor, fazendo todos os papéis”, disse. Ainda conforme a oposição, o Brasil vem passando “uma vergonha internacional” com os julgamentos da Suprema Corte, destacando também a decisão da Corte Italiana de negar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli. Na decisão, a Justiça da Itália apontou a atuação do ministro Moraes como um dos motivos para negar a extradição de Zambelli, destacando que o magistrado acumulou diversas funções no caso.
Oposição protocola novo pedido de impeachment de Moraes
Parlamentares criticaram a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF por coação à Justiça













