Trabalho publicado na revista científica Nature nesta quarta-feira (17) descreve novas descobertas sobre a bactéria causadora da doença 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Evidências da peste em sepultura — Foto: Vladimiri Bazaliiskii RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 15:28 Estudo revela surto de peste há 5.500 anos na Sibéria, desafiando teorias anteriores Um estudo publicado na Nature revela que o primeiro surto de peste aconteceu há 5.500 anos na Sibéria, desafiando a ideia de que a doença estava limitada a cidades medievais. Pesquisadores analisaram DNA de 46 indivíduos antigos, indicando que 40% estavam infectados. As cepas da bactéria Yersinia pestis eram altamente letais, afetando principalmente crianças e adolescentes. A descoberta redefine a compreensão dos surtos iniciais da peste. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O primeiro surto de peste ocorreu há 5.500 anos, próximo ao Lago Baikal, na Sibéria, em uma comunidade de nômades caçadores-coletores, segundo novo estudo da revista científica Nature publicado nesta quarta-feira (17). Este achado desafia a ideia de que os surtos da doença causada pela bactéria Yersinia pestis estão associados apenas a cidades medievais populosas. “Esta descoberta altera nossa compreensão dos primeiros surtos de peste: mesmo antes de a bactéria desenvolver uma transmissão eficiente por pulgas, essas cepas antigas parecem ter carregado uma potente combinação de fatores de virulência que poderiam tornar a infecção altamente letal”, afirma o autor sênior Martin Sikora, professor associado da Universidade de Copenhague. A equipe de pesquisa analisou o DNA de 46 humanos enterrados nos cemitérios feitos pelos grupos de caçadores-coletores. E pelo menos 18 deles apresentaram a doença, o que representa que 40% dos indivíduos foram afetados, uma taxa maior do que as encontradas em valas da Idade Média. Além disso, a equipe descobriu que crianças e adolescentes foram os mais afetados e, como mostram dados de datação por radiocarbono (técnica utilizada para detectar o tempo decorrido desde a morte), muitos dos sepultamentos ocorreram em um curto período de tempo. “O fato de as primeiras formas de peste serem leves ou virulentas têm sido motivo de debate, mas nossas descobertas demonstram que essas cepas antigas já eram altamente letais”, disse o professor Eske Willerslev, do Departamento de Genética da Universidade de Cambridge e da Universidade de Copenhague, que liderou a pesquisa. Cemitério de Ust-Ida — Foto: Vladimiri Bazaliiskii A Yersinia pestis apareceu há 5.700 anos, depois de se separar de sua bactéria ancestral, a chamada Yersinia pseudotuberculosis, como indicam os cientistas. As cepas antigas da Yersinia pestis, descritas neste trabalho, possuíam um superantígeno especial que causava respostas imunológicas graves no corpo humano — o que poderia agravar ainda mais o quadro da pessoa infectada. “Esta descoberta altera nossa compreensão dos primeiros surtos de peste: mesmo antes de a bactéria desenvolver uma transmissão eficiente por pulgas, essas cepas antigas parecem ter carregado uma potente combinação de fatores de virulência que poderiam tornar a infecção altamente letal”, disse o autor sênior Martin Sikora, professor associado da Universidade de Copenhague.