O mais antigo surto da doença que ficaria conhecida como peste negra na Europa medieval dizimou crianças de comunidades da Sibéria há 5.500 anos, revela um novo estudo. A descoberta surpreende não só pela antiguidade e grau de letalidade como também pelo fato de que a epidemia afetou comunidades de caçadores-coletores, que não costumam ser vistas como o principal alvo desse tipo de moléstia.
É por isso que o estudo, publicado nesta quarta-feira (17) na revista científica Nature, pode trazer dados importantes sobre como a peste se tornou uma ameaça global ao longo dos milênios. Se as conclusões do trabalho estiverem corretas, a enfermidade originalmente não dependia da presença de pulgas como vetores, nem das densidades populacionais humanas mais altas, associadas a vilas de agricultores, para causar grande estrago.
Reunindo pesquisadores na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá e na China, o trabalho foi coordenado por uma dupla da Universidade de Copenhague, Eske Willerslev e Martin Sikora, e por Ruairidh Macloud, da Universidade de Oxford (Reino Unido).
O grupo de Willerslev é um dos mais renomados no estudo do DNA em contextos arqueológicos e, no caso do novo trabalho, empregou seu domínio da área para analisar tanto o material genético antigo de seres humanos quanto o das bactérias da espécie Yersinia pestis, causadoras da doença, como o nome sugere.










