Como juros, inflação e dólar afetam a sua vida?Como juros, inflação e dólar afetam a sua vida?. Gerando resumoCom o mês de maio marcado por altas inflacionárias e incerteza sobre as consequências de longo prazo da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o Federal Reserve (Fed) deve novamente manter as taxas de juros inalteradas, na faixa de 3,50% a 3,75%, na reunião de política monetária desta quarta-feira, 17. Essa será a primeira reunião do indicado do presidente Donald Trump, Kevin Warsh, à frente do BC americano.PUBLICIDADECom o mercado descartando a possibilidade de surpresas na definição das taxas de juros, o foco de Wall Street deve se voltar à comunicação e postura de Warsh em meio à inflação ainda longe da meta de 2% ao ano fixada pelo BC, mas com sinais positivos do mercado de trabalho nos EUA. Enquanto a inflação ao consumidor se mostrou menos intensa do que o previsto no mês passado, no atacado as pressões inflacionárias superaram as estimativas pelo segundo mês consecutivo. Já o principal indicador de emprego dos EUA, o payroll, mostrou criação de 172 mil empregos em maio, bem acima da mediana de 85 mil projetada pelo Projeções Broadcast.Segundo ferramenta de monitoramento do CME Group, o mercado estima cerca de 60% de probabilidade de alta de juros pelo Fed até dezembro de 2026. Para os analistas, os efeitos inflacionários devem demorar a se dissipar, mesmo que o Estreito de Ormuz seja reaberto nesta semana. Não é esperado, segundo a chefe de Previsão de Petróleo e Gás da Oxford Economics, Bridget Payne, um aumento rápido na quantidade de petróleo fluindo por Ormuz nos próximos meses. Segundo ela, o transporte pelo Estreito deve ser retomado gradualmente até o final de julho.PublicidadeExpectativa é que o Fed mantenha taxa de juros sem sinalizar inclinação para afrouxamento Foto: Anna Rose Layden/NYTO ING observa que o novo presidente do Fed não é fã de orientações futuras (forward guidance) e provavelmente não se comprometerá em sua primeira coletiva de imprensa. A expectativa é que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) mantenha a taxa dos Fed Funds na faixa entre 3,50% e 3,75%, sem sinalizar inclinação para afrouxamento em sua declaração, diz o Bank of America. Leia tambémCaiu a ficha do Copom? Não é o cenário externo o principal obstáculo ao ciclo de corte de jurosWarsh faz 1ª reunião como presidente do Fed em meio à incerteza sobre comunicaçãoJuros abaixo de 10%? Mercado vê Selic de um dígito apenas na próxima década“Não achamos que Warsh apresentará previsões, mas esperamos que ele adote uma postura dovish na coletiva, argumentando que os choques de oferta são pontuais e que o Fed deve olhar para frente em relação à desinflação da inteligência artificial”, dizem os analistas. O CIBC acrescenta que Warsh pode ter um problema em suas mãos se tentar direcionar o Fed para a visão dovish, já que os preços parecem estar presos em uma alta elevada.O TD Securities prevê ajustes amplamente agressivos tanto nas projeções econômicas quanto no gráfico de pontos. “Acreditamos que uma forte resistência de Warsh é improvável, pois isso prejudicaria sua credibilidade e eficácia em relação à sua agenda de longo prazo voltada para reformas. Seria uma dor de curto prazo para um ganho de longo prazo para o novo presidente”, adiciona.O Goldman Sachs não espera que o BC dos EUA reduza as taxas até o próximo ano. David Mericle, economista-chefe para EUA, adiou sua previsão para os dois últimos cortes de juros deste ciclo para junho e dezembro de 2027 — de dezembro de 2026 e março de 2027 anteriormente. A atividade econômica dos EUA e os dados do mercado de trabalho “têm sido mais fortes do que antecipávamos nos últimos meses, com o crescimento do emprego, em particular, aumentando de forma impressionante”, aponta Mericle. A equipe do Goldman ainda prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ficará um pouco abaixo do potencial na segunda metade deste ano, à medida que os altos preços do petróleo pesam sobre os gastos.PublicidadeDe acordo com o banco, os efeitos combinados de tarifas, preços mais altos dos combustíveis, outros efeitos da guerra no Oriente Médio e a demanda por IA devem manter o núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, a medida de inflação favorita do Fed) acima de 3% ao longo deste ano. Se não ocorrerem choques adicionais de oferta, a inflação cairá para perto de 2% em 2027.Para o economista-chefe para os EUA do Jefferies, Thomas Simons, não seria exagero dizer que os 19 formuladores de política monetária do Fed têm visões diferentes sobre o equilíbrio dos riscos em relação ao impacto nas perspectivas e a resposta apropriada. Como consequência, ele acredita ser mais provável que o resumo das projeções econômicas de junho seja menos específico do que as edições anteriores. Além da grande incerteza sobre as perspectivas, os sólidos fundamentos do mercado de trabalho e a falta de repasse dos altos preços da energia para o núcleo da inflação dão ao Fomc tempo para manter sua abordagem de “esperar para ver”, enfatiza Simons.