Indicação de possível aperto monetário e ausência de previsão dos próximos passos da instituição altera as exepctativas dos investidores em títulos do governo americano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Kevin Warsh, à esquerda, e o presidente Donald Trump durante uma cerimônia de posse no Salão Leste (East Room) da Casa Branca, em 22 de maio — Foto: Al Drago/Bloomberg. RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 20:15 Alta dos Juros nos EUA Surpreende e Impacta Economia Global A recente sinalização de alta de juros nos EUA, liderada por Kevin Warsh no Federal Reserve, revela uma postura mais restritiva do que Donald Trump desejava. Com rendimentos dos Treasuries subindo, investidores agora esperam taxas mais elevadas até outubro. A decisão contraria previsões de cortes e reflete preocupações com a inflação e resiliência econômica, impactando o mercado de títulos e a economia global. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os rendimentos dos títulos do Tesouro Americano, os Treasuries, de curto prazo dispararam com a sinalização das autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de alta dos juros nos próximos meses, levando os operadores a precificar integralmente custos de financiamento mais altos até outubro. Na primeira reunião do Fomc, o conselho de política monetária do Fed, sob a liderança de Kevin Warsh, empossado no mês passado após ter a indicação por Donald Trump aprovada no Senado, o resultado foi uma manutenção do atual patamar de juros nos EUA, contrariando a expectativa de que ele poderia buscar satisfazer o presidente, que pressiona por queda nos juros. Os rendimentos dos Treasuries de dois anos, particularmente sensíveis às mudanças de curto prazo na política monetária, avançaram 14 pontos-base, para 4,19%, após a decisão do Fed de hoje. Os mercados indicam que uma alta de juros agora é vista como provável até setembro e totalmente precificada para outubro. O Fed, que manteve os juros inalterados por enquanto, divulgou suas projeções trimestrais — conhecidas informalmente como dot plot — indicando que nove dirigentes preveem pelo menos uma alta de 0,25 ponto percentual neste ano, enquanto seis antecipam ao menos duas. Outros nove esperam manutenção ou corte dos juros. —Metade do comitê espera altas de juros neste ano, o que representa um sinal muito forte para o mercado — disse Bob Michele, diretor de investimentos e chefe global de renda fixa da JPMorgan Asset Management. — Acho que eles estão se preparando para elevar os juros. Reversão de expectativas A incorporação das expectativas de alta de juros pelo mercado de Treasuries, avaliado em US$ 31 trilhões, representa uma reviravolta completa em relação ao início do ano, quando a escolha de Warsh pelo presidente dos EUA, Donald Trump, levou Wall Street a apostar em vários cortes de 0,25 ponto percentual em 2026. As apostas em cortes foram rapidamente recalibradas após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã no fim de fevereiro, que fizeram os preços da energia dispararem e reacenderam preocupações com a inflação. Somadas às evidências de resiliência da economia americana, essas condições levaram os investidores em renda fixa a considerar a possibilidade de custos de financiamento mais elevados. Com essa mudança de perspectiva, o mercado de Treasuries acumulou queda de cerca de 1,5% desde o fim de fevereiro, segundo um índice da Bloomberg. Isso elevou em quase meio ponto percentual os rendimentos dos Treasuries de referência de dez anos — que influenciam os custos de hipotecas no crédito imobiliário e de outros tipos de empréstimos. Warsh não faz previsão No mercado à vista, os operadores reduziram suas posições líquidas compradas ao menor nível desde 18 de maio, segundo pesquisa com clientes de Treasuries do JPMorgan Chase divulgada na terça-feira. Mas a decisão do Fed hoje levou o mercado ainda mais longe. As projeções continham 18, e não 19, estimativas, porque Warsh, crítico do chamado forward guidance (orientação futura que geralmente ajuda o mercado a prever os próximos passos da instituição), optou por não apresentar a sua. Os rendimentos dos Treasuries de prazo mais curto avançaram fortemente, deixando os papéis de dois anos a menos de 30 pontos-base do rendimento dos títulos de dez anos. Trata-se da menor diferença em mais de um ano. Movimentos de achatamento da curva como esse costumam ser interpretados como um sinal de que os investidores esperam que altas de juros do Fed contenham o crescimento econômico e a inflação nos próximos anos. Para Dhiraj Narula, analista de juros dos EUA no HSBC, o comunicado foi mais duro que o mercado esperava, o que levou a a alta imediata das taxas nos vencimentos mais curtos.