Novo presidente da autoridade monetária, Kevin Warsh, focou grande parte de seu discurso no mandato de inflação e defendeu reformas em pontos-chave da autarquia, o que foi percebido pelo mercado como um viés mais conservador Cotações de mercado refletidas em tela na bolsa de valores de Nova York (Nyse) — Foto: Michael Nagle/Bloomberg As bolsas americanas encerraram em queda firme nesta quarta-feira, pressionadas pelo forte avanço nos rendimentos dos Treasuries após a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed). O novo presidente da autoridade monetária, Kevin Warsh, focou grande parte de seu discurso no mandato de inflação e defendeu reformas em pontos-chave da autarquia, o que foi percebido pelo mercado como um viés mais conservador (“hawkish”). O índice Dow Jones encerrou em queda de 0,98%, aos 51.492,55 pontos. O S&P 500 perdeu 1,21%, aos 7.420,10 pontos; e o Nasdaq cedeu 1,34%, aos 26.021,66 pontos. As ações da SpaceX (-4,95%) caíram pela primeira vez desde a estreia na bolsa. Warsh mencionou que nenhuma outra opção além de uma manutenção dos juros foi discutida entre os membros da autoridade monetária nesta reunião, mas reiterou, em diversos momentos, o compromisso do banco central americano com o mandato de estabilidade de preços. Por outro lado, a única menção ao mercado de trabalho aconteceu na última pergunta da coletiva de imprensa, na qual o novo presidente afirmou que os dados caminham em uma direção positiva. Além disso, o gráfico de pontos (“dot plot”) mostrou uma forte divergência dentro do comitê sobre o rumo dos juros, além de uma tendência mais hawkish se comparada à projeção anterior. Nove membros previram pelo menos uma alta das taxas neste ano, enquanto oito projetaram uma manutenção, um esperou um corte e o presidente Warsh se absteve. As falas de Warsh levaram o mercado a precificar uma política monetária mais restritiva no curto prazo, o que fez com que o rendimento da T-note de dois anos atingisse o maior patamar desde fevereiro do ano passado. Os futuros dos Fed Funds apontam para uma alta dos juros a partir da reunião de setembro, sendo que, antes da decisão, as probabilidades mostravam para um avanço das taxas apenas a partir de dezembro.