PUBLICIDADE Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, foi lançada sem a corda de segurança de uma altura de 40 metros; denúncia aponta ausência de capacidade para exercer 'atividade de alto risco' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Luis Felipe Feliciano Egoroff com criança durante salto de rope jump na Ponte de Esqueleto, mesmo lugar onde Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu após ser lançada sem corda; Egoroff e mais dois instrutores estão presos — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 10:08 Falta de Qualificação e Regulamentação Marcam Caso de Morte em Rope Jump em Limeira O Ministério Público destacou a falta de qualificação dos três envolvidos na morte de Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira (SP). A jovem foi lançada sem cordas de segurança de uma altura de 40 metros. Os acusados, que trabalhavam como auxiliar de produção, pintor e autônomo, foram presos por homicídio com dolo eventual. A defesa alega experiência em atividades de aventura, mas o MP aponta a ausência de regulamentação e fiscalização no local. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Ao se manifestar pela manutenção da prisão dos três instrutores que lançaram a jovem Maria Eduarda Rodrigues em um salto de rope jump sem as cordas no último final de semana, em Limeira (SP), o Ministério Público mencionou que todos eles utilizavam a modalidade como uma ocupação paralela aos trabalhos que realmente exercem. Os acusados relataram atuar como auxiliar de produção, pintor e autônomo, o que, segundo a denúncia, reforça a ausência da qualificação técnica e profissional necessárias para exercer uma "atividade de alto risco". — A atividade, por si só, se mostra como sendo de alto risco, o que evidentemente exigiria a demonstração de qualificação técnica por parte dos presos e dos demais envolvidos, o que não se verifica nos altos. Luis, Vitor e Maicon disseram aqui que exercerem atividades diversas como auxiliar de produção, autônomo e pintor. A morte foi ocasionada durante uma atividade que eles faziam com recebimento de valor, o que exigiria, sim, um maior controle e fiscalização dos mecanismos de segurança — afirmou o Ministério Público, conforme imagens obtidas pelo portal Notícias de Limeira. Os responsáveis pelo lançamento — Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra, que atuavam por meio de marcas informais, como “Ih voei” e “Entre cordas” — foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual, acusação mantida após a conversão da prisão em preventiva. A conversão da prisão em flagrante para preventiva foi determinada pela Justiça após os instrutores trocarem de roupa e tentarem fugir do local, segundo testemunhas informaram à polícia. O trio nega as acusações e diz que permaneceu no local. — Eles disseram que não conseguem se recordar onde e quando ocorreu a falha, quem teria de ter colocado e não colocou. O terceiro, que segurava as pernas, disse que só foi chamado para ajudar no arremesso. Tentou se isentar da responsabilidade de verificar a corda. Mas é nítido, a corda é grossa. Eram duas cordas que deveriam ter sido colocadas, e não foi colocada nenhuma. Em um esporte de risco desse, era para terem checado três vezes — afirmou a delegada plantonista Andréa Dantas Levy disse ao GLOBO. Local da queda que matou jovem Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, em salto de rope jump em Limeira (SP) — Foto: Editoria de Arte Entenda o caso Formada em Educação Física, Maria Eduarda morreu ao cair de uma altura de cerca de 40 metros na chamada Ponte do Esqueleto, na zona rural de Limeira (SP). Imagens gravadas por participantes mostram o momento em que ela é carregada por três instrutores até a plataforma e lançada na modalidade conhecida como “aviãozinho”. No entanto, a jovem não estava conectada às cordas de segurança. Logo após o salto, testemunhas aparecem em desespero ao perceberem a falha. De acordo com a investigação, não havia uma empresa formalmente constituída e regulamentada por trás da atividade. Para a delegada, os organizadores operavam de forma autônoma e utilizavam as marcas divulgadas nas redes para promover os saltos. Após a repercussão da tragédia, os perfis associados ao grupo deixaram de estar disponíveis na internet. A defesa dos três investigados sustenta que eles possuem ampla experiência na realização de atividades de aventura e argumenta que esta teria sido a primeira morte registrada em sua trajetória profissional. A apuração também indica que Maria Eduarda pagou R$ 180 pela experiência e desembolsou outros R$ 150 para que o salto fosse filmado com uma câmera 360 graus. O equipamento, que aparecia nas mãos da jovem momentos antes da queda, ainda não foi localizado pelos investigadores. Moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda trabalhava em uma academia e costumava compartilhar nas redes sociais registros ligados a esportes, natureza e bem-estar. Horas antes do acidente, publicou uma foto em frente a placas que alertavam para o risco de morte no local. Em uma postagem feita pouco antes do salto, escreveu em tom de brincadeira: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”. Após sua morte, o perfil da jovem também foi retirado do ar. A Ponte do Esqueleto, estrutura ferroviária inacabada que hoje pertence à União, acumula histórico recente de acidentes. Em 2024, uma ciclista morreu após cair do viaduto, enquanto outras duas mulheres ficaram gravemente feridas em ocorrências registradas nos meses anteriores. A prefeitura de Limeira e a Secretaria de Patrimônio da União divergem sobre a responsabilidade pela fiscalização e pelo controle de acesso ao local.