Será a primeira reunião do banco central americano sob comando de Kevin Warsh e, por isso, os agentes financeiros devem dar atenção especial à coletiva de imprensa do novo chairman Kevin Warsh, presidente do Fed, durante cerimônia de posse na Casa Branca — Foto: Al Drago/Bloomberg Ainda que os agentes financeiros continuem atentos às informações sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, a sessão desta quarta-feira será marcada pela decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed). Será a primeira reunião do banco central americano sob comando de Kevin Warsh e, por isso, os agentes financeiros devem dar atenção especial à coletiva de imprensa do novo chairman após a divulgação da decisão, que deve ser por manutenção dos Fed funds no atual patamar de 3,50% e 3,75%. Ainda em relação ao Fed, a decisão desta quarta traz consigo projeções e o gráfico de pontos (“dot plot”), que devem dar mais clareza sobre como os integrantes do BC americano estão enxergando o cenário econômico do país e como esperam que a política monetária seja calibrada daqui em diante. Um colegiado conservador pode levar os agentes do mercado à perspectiva de que haverá aperto monetário, o que tende a pressionar os juros globais para cima, fortalecer o dólar e enfraquecer o mercado acionário. Caso contrário, se o Fed for marcado por um tom não tão duro quanto apresentado por parte dos seus integrantes em declarações recentes, os agentes podem ver espaço para ajustes da recente alta dos juros globais e do fortalecimento generalizado da moeda americana. No caso do Brasil, a cautela pode seguir presente, já que os agentes do mercado começam a perceber um aumento do peso do cenário eleitoral na formação dos preços dos ativos. Com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando as pesquisas de intenção de voto, cresce a perspectiva de não mudança na condução da política fiscal do país, o que alimenta o temor com o endividamento público e eleva o prêmio de risco nos mercados. Além disso, as negociações desta quarta também devem ser marcadas por cautela anterior à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, que ocorre após o fechamento dos mercados. É esperado que o colegiado corte a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mas não é isso que deve marcar a decisão, e sim o tom do comunicado. É a possível orientação futura (“forward guidance”) e as mensagens no texto que devem balizar a dinâmica dos agentes financeiros no pregão de amanhã. Além do já mencionado, os agentes ainda acompanham dados da atividade no Brasil pelo IBC-Br e também números do varejo nos Estados Unidos. Nesta manhã, o preço do petróleo opera estável, assim como boa parte das bolsas na Europa e os contratos futuros dos índices acionários de Wall Street. O dólar, por sua vez, tem viés de leve alta na maioria dos mercados mais líquidos, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 e 10 anos recuam levemente.