Nas democracias, temos limites à concentração de poder político. Um presidente não pode ser eleito por mais de dois mandatos sucessivos em muitos países ao redor do mundo, Brasil inclusive. Nos regimes parlamentares, o poder legislativo está limitado pelo judicial. As leis eleitorais impedem um partido de controlar absolutamente tudo, mesmo que o povo queira.

Todas estas regras fazem sentido e são comumente aceitas porque sabemos que o excesso de poder é perigoso e procuramos limitar os seus riscos. Fazemo-lo independentemente das pessoas. Mesmo o presidente que fosse a melhor pessoa do mundo e a mais incapaz de abusar dos seus poderes tem a mesma limitação de mandatos que um presidente sedento de poder.

E convivemos bem com a ideia de que a "injustiça" relativa que é limitar o poder de alguém que pudesse exercê-lo bem e com mandato popular é compensada pela justiça absoluta de dar ao povo uma oportunidade para se livrar de um governante pela força da regra, mesmo que a sua capacidade de comando da máquina do Estado lhe permitisse ter maiorias infinitas.

Curiosamente, a mesma regra tem deixado de se aplicar quando falamos de fortunas tão grandes que já não podem ser chamadas de grandes fortunas, mas fortunas hiper-ultra-mega-gigantes. Aos seus detentores chamamos megarricos, mas eu acho pouco: a distância entre um rico "normal" e uma dessas fortunas deveria levar-nos a chamá-los de hiper-ultra-mega ricos.