Nos anos de Copa do Mundo, como o atual, o candidato de oposição à Presidência sempre promete extinguir a reeleição, caso ganhe o pleito. Explicarei por quê, no final desse artigo.
A reeleição não é tradição latino-americana. Faz tempo que nos sistemas políticos há uma diferença clara: parlamentarismo na Europa, presidencialismo nas Américas. Mas o modelo norte-americano se distinguia do latino-americano: nos Estados Unidos, a reeleição presidencial era rotina; na América Latina, era vedada, para limitar o caudilhismo.
Essa situação muda nos anos 1980. A democratização nos conserva presidencialistas, mas, na década de 1990, por influência de organismos internacionais empenhados em preservar políticas econômicas neoliberais, vários países adotaram a reeleição.
Foi o caso do Brasil, com Fernando Henrique Cardoso, e da Argentina. Mas nisso a direita errou: em 1998 FHC faria facilmente seu sucessor (e José Serra seria um homem feliz). Quem ganhou com a reeleição foi a esquerda: Lula –que em 2006 não teria sucessor fácil, uma vez cassado José Dirceu—, Hugo Chávez, e Evo Morales.
Alterar instituições, que deveriam ser duradouras, para atender a uma finalidade imediata leva a consequências inesperadas.








