Ex-deputado havia anunciado vaga para primeira suplência do pré-candidato André do Prado Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e deputado André do Prado, pré-candidato ao Senado por SP — Foto: Reprodução/X - Eduardo Bolsonaro Aliados do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) passaram a admitir que a pré-candidatura dele como suplente ao Senado por São Paulo poderá ser reavaliada, após o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenar à inelegibilidade por oito anos. A decisão inicial no PL foi a de manter o acordo para Eduardo ocupar a primeira suplência na chapa encabeçada pelo deputado estadual André do Prado, enquanto não se esgotarem as possibilidades do caso. “O real objetivo deste julgamento sem pé nem cabeça é apenas um: tirar meu nome das eleições”, afirmou o ex-deputado, em nota, após a condenação. Nesta terça-feira (16), data em que a Primeira Turma decidiu por unanimidade condenar o ex-deputado por coação à Justiça, correligionários divulgavam nas redes sociais o evento de lançamento da pré-candidatura de Prado ao Senado, que compõe a chapa à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Marcado para sábado (20), o ato de pré-campanha tem a participação prevista de Tarcísio, do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e de outros correligionários. A informação era que Eduardo poderia aparecer remotamente, por vídeo. Prado declarou que, se confirmado o impedimento, caberá a Eduardo indicar um novo suplente, mas que ainda existe a expectativa de reverter a situação. O pré-candidato disse à rádio CBN que sua “prioridade” é manter o ex-deputado como primeiro suplente. Segundo ele, os próximos passos devem ser discutidos com Eduardo a partir desta quarta-feira (17). Prado sinalizou que discorda do entendimento dos quatro ministros que votaram na Primeira Turma e se somou às cobranças para que o caso seja julgado no plenário. O ex-deputado foi representado no processo pela Defensoria Pública da União (DPU), já que não constituiu defesa. Eduardo, em entrevista ao portal Metrópoles, rejeitou a opção de recorrer da decisão, alegando que houve desrespeito ao devido processo legal e que ele foi “impossibilitado” de se defender. “Eu vou recorrer de quê?”, disse o ex-parlamentar, após falar em “processo totalmente nulo”. Segundo relatos, já existe um alinhamento entre os envolvidos para que uma orientação dos advogados do partido contra o registro de Eduardo seja respeitada, se ficar nítido o risco de comprometer a chapa. O bolsonarismo reagiu à condenação com críticas ao STF e o argumento de perseguição à família Bolsonaro. O risco jurídico da tentativa de registrar Eduardo como suplente já era considerado desde as negociações da composição, muitas delas feitas nos Estados Unidos, onde o ex-deputado mora desde fevereiro de 2025. Sem intenção de voltar ao Brasil para a campanha, ele concordou em abrir mão de figurar como cabeça de chapa e apoiar Prado, que é presidente da Assembleia Legislativa e aliado de Tarcísio. Uma das posições defendidas nos bastidores, nos últimos dias, é que o grupo deve preservar Eduardo na vaga até onde for possível, o que seria uma forma de “prestigiá-lo” e demonstrar solidariedade, mas uma substituição não pode ser descartada. Na vaga de segundo suplente, está Fernando Fiori de Godoy (PL), ex-prefeito de Holambra. Até segunda ordem, a composição da chapa fica inalterada. Segundo especialistas, as chances de derrubar a condenação são remotas. Além disso, como há pouca margem para recursos, a tendência é que o processo transite em julgado em breve. Pelo calendário eleitoral, os partidos têm que fazer as convenções que definem os candidatos a partir de 20 de julho e pedir o registro deles até 15 de agosto. Se o pedido for oficializado, a presença de Eduardo na chapa pode ser contestada pelo Ministério Público ou por outros concorrentes. Adversários do bolsonarismo em São Paulo já avaliavam a possibilidade de denunciar eventuais ilegalidades. Um dos pontos considerados controversos é a legitimidade do domicílio eleitoral do ex-deputado. Anteriormente, a expectativa era que a inelegibilidade se daria em função de Eduardo ter sido condenado por órgão judicial colegiado, o que se enquadra nas vedações previstas pela Lei da Ficha Limpa. A coação à Justiça é considerada crime contra a administração pública, uma das hipóteses em que o impedimento pode ser aplicado. No entanto, os membros do STF decidiram impor, já na definição da pena, a inelegibilidade por oito anos e a suspensão dos direitos políticos, o que o impede também de votar em eleições. Com isso, os ministros anteciparam os efeitos de algo que poderia ocorrer adiante, durante análise de pedido de registro. Segundo o advogado especializado em direito eleitoral Arthur Rollo, a decisão dos ministros é atípica e pode ter sido influenciada pelo anúncio da pré-candidatura de Eduardo como suplente na chapa ao Senado. “Quem reconhece inelegibilidade é a Justiça Eleitoral, não o STF. Condenação criminal não gera inelegibilidade automaticamente, depende de interpretação”, afirmou.
Condenação de Eduardo Bolsonaro abre discussão sobre vaga de suplente em chapa ao Senado
Ex-deputado havia anunciado vaga para primeira suplência do pré-candidato André do Prado













