Troca já estava prevista diante do risco de anulação de votos na eleição de São Paulo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Eduardo Bolsonaro em fala nos Estados Unidos — Foto: MANDEL NGAN / AFP/ 24-02-2024 O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) anunciou, nesta quarta-feira (29), a desistência da candidatura como suplente ao Senado na chapa de André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A troca já estava prevista, há algumas semanas, dentro da chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). "Recebi com respeito a decisão do sempre deputado federal Eduardo Bolsonaro de não integrar a chapa ao Senado Federal por São Paulo. Compreendo as razões apresentadas por Eduardo e reconheço seu gesto de responsabilidade ao priorizar um projeto maior, que é trabalhar por São Paulo e contribuir para um Brasil mais forte", declarou Prado, por meio de nota. O filho "03" do ex-presidente Jair Bolsonaro está inelegível, em virtude de uma condenação recente no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo que levou à prisão do pai, acusado de tentativa de golpe de estado. O desfecho trazia risco jurídico, pois a tendência era de que a candidatura do PL como um todo tivesse o registro indeferido com base na Lei da Ficha Limpa. De acordo com Prado, a primeira suplência será entregue a Fernando Godoy, ex-prefeito de Holambra, enquanto a segunda será dada a Rute Costa, vereadora de São Paulo. Ambos são filiados ao PL. Prado concorre em dobradinha com o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual de Segurança Pública, e tenta colar em Tarcísio para aumentar as chances de ser eleito. Em maio, articuladores políticos da chapa em São Paulo anteciparam ao GLOBO a informação de que ele sequer seria registrado como suplente, etapa que antecede a análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A troca era projetada no prazo das convenções partidárias, mas acabou se estendendo por mais alguns dias, visto que o PL realizou evento no final de semana. O revés na Justiça poderia levar à anulação dos votos obtidos por Prado, no caso da permanência de Eduardo na chapa até a eleição, e facilitar a vitória de adversários ligados ao presidente Lula (PT). Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta aponta as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) com vantagem em relação aos candidatos bolsonaristas. Para manter o suspense, o candidato do PL ao Senado vinha sustentando que o partido aguardaria recurso no STF para avaliar a posição de Eduardo Bolsonaro, o que acabou não ocorrendo. O filho de Bolsonaro, assim, nem chega ao período oficial de campanha, que começa no próximo dia 16. O presidente da Alesp passou as últimas semanas explorando a posição dada ao aliado como forma de diminuir resistências dentro do PL ao seu nome. Adversário no campo da direita na eleição paulista, o deputado federal Ricardo Salles (Novo), por exemplo, explora o histórico político de Prado, ligado a Valdemar Costa Neto, para atribuir a ele a pecha de representante do "Centrão". Outra possibilidade de contratempo na Justiça dizia respeito ao domicílio eleitoral de Eduardo. O ex-parlamentar mora atualmente nos Estados Unidos, para onde viajou alegando "perseguição" do Supremo. Depois, teve o mandato cassado na Câmara por faltas e se tornou réu por articular sanções do governo dos EUA contra autoridades brasileiras. Ele precisou ser citado, nesse processo, por edital.