Chanceler iraniano disse nesta terça-feira que permanência de tropas isrelenses no país vizinho seria violação do memorando de entendimento com os EUA Uma faixa com a imagem do falecido líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, está pendurada em um prédio destruído em Jibchit, distrito de Nabatieh, Líbano, em 16 de junho de 2026, após um acordo entre os Estados Unidos e o Irã — Foto: REUTERS/Stringer O Hezbollah disse nesta terça-feira (16) que acredita que o Irã não assinará um acordo nuclear final com Washington a menos que Israel se retire do Líbano, enquanto o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que a permanência das tropas israelenses no Líbano seria considerada uma violação do memorando de entendimento entre EUA e Irã. As tropas de Israel ainda ocupam uma faixa de território no sul do Líbano que foi tomada durante sua campanha aérea e terrestre de três meses contra o Hezbollah, iniciada após o grupo apoiado pelo Irã disparar contra Israel em 2 de março em apoio a Teerã. Os combates no Líbano diminuíram significativamente após o memorando de entendimento entre Irã e EUA, mas não cessaram completamente, e Israel afirmou que suas tropas permanecerão no sul do país. O Hezbollah se opôs à continuidade da ocupação israelense. Nesta terça-feira, o escritório de mídia do grupo disse que entende que o Irã exigirá uma retirada israelense como parte da próxima rodada de negociações entre EUA e Irã, prevista para começar depois que os dois países assinarem formalmente seu memorando de entendimento na próxima sexta-feira. Essas negociações devem abordar questões difíceis, como o futuro do programa nuclear iraniano. "Acreditamos que não haverá acordo nuclear entre o Irã e os Estados Unidos se Israel não se retirar", disse o escritório de mídia do Hezbollah à Reuters, a primeira vez que o grupo vincula a retirada de Israel a um possível acordo nuclear. Apoiadores do Hezbollah exibem bandeiras e um cartaz do falecido líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, durante um comício nos subúrbios do sul de Beirute, Líbano, em 10 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Mohamed Azakir O grupo afirmou que uma retirada israelense seria o resultado, e não uma pré-condição, dessas negociações. Também disse ter recebido garantias iranianas de que qualquer violação israelense do cessar-fogo no Líbano afetaria as próximas negociações. Araqchi disse nesta terça-feira que o fim da guerra regional deve incluir o fim do conflito no Líbano, incluindo "o fim da ocupação" de território libanês. "Sem a retirada das forças israelenses dos territórios que ocuparam nesta guerra, um fim completo da guerra não foi alcançado", disse. Araqchi acrescentou que qualquer ataque israelense ao Líbano ou a continuidade da ocupação de território libanês "será, em nossa visão, considerada uma violação do memorando de entendimento".