Hezbollah arrastou país para conflito regional em 2 de março, lançando foguetes contra Israel em represália à morte do então líder supremo iraniano, Ali Khamenei 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Destruição causada por bombardeio israelense em Tiro, no sul do Líbano — Foto: AFP O acordo entre os Estados Unidos e o Irã que põe fim à guerra entre Israel e o Hezbollah deixa muitas questões relativas ao Líbano sem solução, uma vez que não aborda a retirada israelense do território vizinho, nem o fim do apoio de Teerã ao grupo xiita. Sob pressão dos EUA, as autoridades libanesas têm negociado com Israel para chegar a um acordo separado para pôr fim às hostilidades, mas Beirute parece ter sido deixada de fora do processo de negociação referente ao conflito regional. O que o acordo prevê? Os detalhes do acordo para pôr fim à guerra que eclodiu no final de fevereiro no Oriente Médio não foram divulgados, mas o Paquistão, que atuou como mediador entre as partes, afirmou que o Líbano está incluído. O Hezbollah arrastou o Líbano para o conflito regional em 2 de março, lançando foguetes contra Israel em represália à morte do então líder supremo iraniano, Ali Khamenei, nos ataques israelenses-americanos que desencadearam as hostilidades. Israel respondeu com ataques aéreos e uma invasão terrestre que, segundo o Líbano, matou mais de 3.700 pessoas e deslocou mais de um milhão. Uma fonte oficial disse à AFP que "o Líbano não foi informado dos termos do acordo nem da duração do cessar-fogo". Líbano: Cortejo fúnebre para membros do Hezbollah 1 de 6 Despedida de membros do Hezbollah mortos na guerra — Foto: AFP 2 de 6 Procissão acontece em Beirute, no Líbano — Foto: AFP X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Imagem do chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, é carregada durante cortejo fúnebre — Foto: AFP 4 de 6 Mulheres em luto em passeata fúnebre pelos membros mortos do Hezbollah — Foto: AFP X de 6 Publicidade 5 de 6 Cortejo fúnebre para membros do Hezbollah mortos — Foto: AFP 6 de 6 Procissão acontece em Beirute, no Líbano — Foto: AFP X de 6 Publicidade O presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, agradeceu a Washington e Teerã por sua "insistência em incluir (...) uma cláusula essencial e vinculativa sobre o fim da agressão israelense contra todo o Líbano". O Hezbollah não reivindicou a autoria de nenhum novo ataque contra Israel na segunda-feira. Retirada israelense? As informações que circulam sobre o pacto não mencionam uma retirada israelense do sul do Líbano, e o Ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou nesta segunda-feira que suas tropas permanecerão indefinidamente no país vizinho. Karim Bitar, professor de estudos do Oriente Médio no Sciences Po, em Paris, observou que "o acordo não parece envolver Israel, o que, no curto prazo, significa que não é parte" do acordo. "Uma retirada israelense do sul do Líbano é altamente improvável", acrescentou. As forças israelenses controlam uma faixa de território libanês ao longo de sua fronteira. "Dezenas de milhares de soldados israelenses" estão no sul do Líbano, onde ocupam posições fixas, embora o Hezbollah ainda mantenha presença na região, segundo a fonte. "Esta é a maior incursão desde a retirada israelense em 2000", acrescentou a fonte, referindo-se à retirada anterior de Israel após 20 anos de ocupação. O Hezbollah afirma ter enviado reforços ao sul do rio Litani, 20 km ao norte da fronteira com Israel, após o início da guerra. Segundo um acordo de 2024 que pôs fim a um conflito anterior, o Hezbollah deveria retirar seus combatentes daquela área. Qual o futuro do Hezbollah? Washington pressionou o Líbano para desarmar o Hezbollah, mas o acordo não menciona os combatentes. "O Irã não parece ter se comprometido a encerrar seu apoio e financiamento ao Hezbollah", de acordo com Bitar. Explosões de pagers deixam mortos e feridos no Líbano 1 de 10 Ambulâncias são cercadas por pessoas na entrada do Centro Médico da Universidade Americana de Beirute, em 17 de setembro de 2024, após explosões de pagers em várias áreas dominadas pelo Hezbollah em todo o Líbano — Foto: Anwar AMRO / AFP 2 de 10 Amigos e familiares caminham em direção a hospital em Beirute, no Líbano, para onde feridos foram transportados em 17 de setembro de 2024 — Foto: Anwar AMRO / AFP X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 Após explosões de pagers em Beirute, no Líbano, soldados do exército libanês fazem guarda enquanto ambulância transporta feridos — Foto: Anwar AMRO / AFP 4 de 10 Soldados do exército libanês fazem guarda em Beirute, em 17 de setembro de 2024, após explosões atingirem locais em várias áreas dominadas pelo Hezbollah em todo o Líbano — Foto: Anwar AMRO / AFP X de 10 Publicidade 5 de 10 O Ministro da Saúde do Líbano, Firass Abiad, fala com repórteres no Aeroporto Internacional de Beirute, em 18 de setembro de 2024 — Foto: Fadel ITANI / AFP 6 de 10 Parentes vivem o luto pela morte de Fatima Abdallah, menina de 10 anos que foi morta após centenas de dispositivos de comunicação explodirem no Líbano — Foto: AFP X de 10 Publicidade 7 de 10 Soldados do exército libanês fazem guarda enquanto uma ambulância chega após a explosão de um pager ser relatada durante o funeral de vítimas do ataque sofrido no dia anterior — Foto: Fadel ITANI / AFP 8 de 10 Pessoas em luto acompanham caixão de vítima de uma das explosões de pagers ocorridas no Líbano, no dia 17 de setembro de 2024 — Foto: Anwar AMRO / AFP X de 10 Publicidade 9 de 10 Mulher carrega bandeira do Hezbollah durante funeral de pessoas mortas durante explosões quase simultâneas de pagers no Líbano, ocorridas no dia 17 de setembro de 2024 — Foto: Anwar AMRO / AFP 10 de 10 Combatentes do Hezbollah carregam caixões de pessoas mortas após explosões de pagers no Líbano, ocorridas em 17 de setembro de 2024 — Foto: Anwar AMRO / AFP X de 10 Publicidade Ataque aconteceu no dia 17 de setembro de 2024 em diversos pontos do país O especialista militar Riad Kahwaji afirmou que "o Hezbollah não concordará em depor as armas, e a crise se arrastará". Ele previu que isso poderia levar à instabilidade política e até mesmo a distúrbios, "especialmente agora que o Hezbollah acredita ter saído vitorioso deste acordo por meio do Irã". Negociações entre Israel e Líbano? O Líbano e Israel têm realizado negociações diretas em Washington desde abril para pôr fim às hostilidades e retirar o Líbano do conflito regional. Uma nova rodada de negociações está agendada para este mês. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, declarou nesta segunda-feira que seu país redobrará os esforços nas negociações em Washington para garantir a retirada completa de Israel. Mas, após o acordo entre Teerã e Washington, alguns questionam a eficácia dessas negociações. Bitar afirmou que "o Líbano pode mais uma vez se tornar bode expiatório, pagando o preço pela inexperiência americana, pelo cinismo iraniano, pela arrogância israelense e pela falta de uma estratégia clara por parte de sua própria classe política".
Acordo EUA-Irã deixa questões importantes sobre o Líbano sem resposta
Hezbollah arrastou país para conflito regional em 2 de março, lançando foguetes contra Israel em represália à morte do então líder supremo iraniano, Ali Khamenei










