A atividade de combustíveis pressionou o varejo brasileiro em abril e as vendas totais do setor registraram a queda mais intensa em quase quatro anos, em meio a uma política monetária ainda restritiva.

Em abril as vendas tiveram queda de 1,5% na comparação com o mês anterior, registrando alta de 1,0% em relação ao mesmo período de 2025, mostraram dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (16).

A taxa mensal de contração foi a mais forte desde junho de 2022, quando houve queda de 2,8%, marcando o primeiro recuo das vendas neste ano.Os resultados foram bem mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters de retração de 0,6% na comparação mensal e de ganho de 1,95% na base anual.

"Os três primeiros meses, na margem, tiveram um crescimento significativo, a ponto de elevar o patamar do comércio para o nível histórico recorde. Assim, há um efeito de base, quando uma variação positiva a mais é de menor susceptibilidade", disse o gerente da pesquisa no IBGE, Cristiano Santos.

Um mercado de trabalho ainda forte e medidas de estímulo ao consumo vêm ajudando o setor varejista mesmo diante da taxa de juros elevada, com a Selic atualmente em 14,5%, e do aumento de preços como consequência da guerra no Oriente Médio. O Banco Central anuncia sua nova decisão sobre a Selic na quarta-feira (17).