Ser um brinquedo não é brincadeira. Isso, "Toy Story" soube mostrar bem ao longo de quatro filmes bem diferentes entre si. Este ainda é um aspecto da continuação que chega aos cinemas nesta semana. Porém, neste mais melancólico "Toy Story 5", o drama maior não é o de um grupo de bonecos abandonados num sótão, senão o pesadelo de ser uma criança ingênua num mundo de coleguinhas apáticos.

A raiz do mal para os pequenos são as telas de celulares, mas não só. Em mais de uma cena, vemos pais vidrados em seus próprios computadores, indiferentes à vida familiar, ou confiando que um aparelhinho bastará para que os filhos façam amigos. É nisso que acreditam, algo receosos, os pais de Bonnie, a garotinha tímida que herdou Woody, Buzz Lightyear e companhia no final de "Toy Story 3".

Agora, é Lilypad, uma tablet com cara de sapo, quem se junta à turma, com suas mil e uma funcionalidades, para desespero dos antigos brinquedos de pano e plástico.

Como logo percebe a vaqueira Jessie —que se tornou a xerife do pedaço após Woody deixar aquela casa em "Toy Story 4"— a tablet, com seus jogos viciantes e redes sociais ilusórias, roubam o tempo das crianças, fazendo com que Bonnie envelheça mais rápido.

É um baque tanto para os brinquedos, que deixam de mergulhar na imaginação pela menina —em trechos animados num belo estilo aquarelado, em contraste com a belíssima fotografia realista—, como para a própria Bonnie, que se rende à moda só para ficar bem na fita com outras mocinhas para quem pelúcias são "coisa de bebê".