Republicanos e democratas esperam receber detalhes sobre memorando antes que ele seja formalizado; Trump e J.D. Vance afirmaram que documento deve ser divulgado ainda nesta semana Cercas de segurança cercam o Capitólio dos EUA antes do discurso do Estado da União , em Washington, DC, EUA, 23 de fevereiro de 2026 — Foto: REUTERS/Kylie Cooper Senadores democratas e republicanos disseram que precisam de mais informações sobre o acordo negociado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o Irã, com muitos deles mostrando ceticismo em relação ao anúncio feito pela Casa Branca. O acordo anunciado no domingo prevê reabrir o Estreito de Ormuz e estender o cessar-fogo por 60 dias, período no qual os países seguirão negociando um pacto definitivo, mas deixou em aberto várias questões cruciais, como o programa nuclear iraniano. Senadores dos dois partidos que voltaram a Washington ontem afirmaram que esperam receber informações detalhadas da Casa Branca antes de que o acordo seja definitivamente formalizado, em cerimônia prevista para ocorrer na sexta-feira, em Genebra, na Suíça. "Eu simplesmente não sei o suficiente sobre disso", disse o líder da maioria no Senado, o republicano John Thune, ao ser questionado por jornalistas sobre o acordo. "Mesmo as pessoas que acompanham esse assunto de perto aqui em Washington não sabem muita coisa a respeito." Em geral, líderes do Congresso e integrantes das comissões de inteligência recebem informações mais detalhadas e são informados sobre acontecimentos importantes antes dos demais parlamentares. Mas Thune afirmou que não havia participado de nenhum briefing sobre o acordo. "Pelo que entendo do que ele envolve — e, repito, sem ter visto nada —, a grande questão será o cumprimento dos termos e como isso será fiscalizado e aplicado", afirmou Thune. As preocupações de Thune foram compartilhadas por vários outros senadores republicanos. "Se é um acordo secreto, como posso levá-lo a sério?", questionou Thom Tillis, senador do partido pela Carolina do Norte. Trump e o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmaram que o texto do acordo deve ser divulgado ainda nesta semana. Ambos também disseram que Teerã não receberá nenhum recurso se não cumprir as obrigações previstas no memorando de entendimento. O presidente americano ainda não explicou como o acordo tratará do programa nuclear iraniano, incluindo quem ficará responsável por verificar se o Irã está cumprindo os compromissos assumidos e quem destruirá ou removerá o urânio altamente enriquecido que se acredita estar enterrado sob instalações atômicas severamente danificadas pelos ataques americanos de julho do ano passado. Thune afirmou que quer saber mais sobre as condições associadas aos incentivos financeiros oferecidos ao Irã. Segundo ele, o acordo seria "um bom acordo" se esses benefícios estivessem condicionados ao desmantelamento gradual do programa nuclear iraniano e à eliminação do urânio enriquecido, "impedindo que eles tenham capacidade nuclear no futuro." O senador Lindsey Graham, aliado próximo de Trump e conhecido por sua postura dura em relação ao Irã, demonstrou ceticismo em relação ao acordo em construção. Ele afirmou que está "torcendo por um acordo", mas disse que o Congresso precisará analisá-lo e votar sobre ele. Também quer ter acesso ao memorando acertado entre os dois países. "Da forma como o Irã o descreve, ele parece horrível. Da forma como nós o descrevemos, faz sentido para mim", disse Graham, republicano da Carolina do Sul. "Vamos analisá-lo e ver o que ele realmente é." A maioria dos republicanos do Senado afirmou que deseja analisar o acordo, mas ainda não está claro se haverá uma votação formal ou se o Congresso poderá aprová-lo. Democratas questionaram de que forma o acordo melhorará a posição dos Estados Unidos em relação ao período anterior à guerra — e em que ele difere do acordo nuclear firmado por Obama em 2015, conhecido pela sigla JCPOA. "Apesar de todas as críticas feitas ao JCPOA, nós tínhamos observadores internacionais, havia uma coalizão que incluía os europeus, e Rússia e China também eram signatárias do acordo", disse o senador Mark Warner, da Virgínia, principal democrata da Comissão de Inteligência, em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS, no domingo. A senadora Elizabeth Warren, democrata de Massachusetts, afirmou que há mais perguntas do que respostas, incluindo dúvidas sobre o futuro do programa nuclear iraniano e das sanções impostas ao petróleo do país. Warren afirmou que Trump gastou "dezenas de bilhões de dólares", militares americanos e iranianos morreram, "e ele ainda não consegue explicar de que forma uma única família de Massachusetts está em melhor situação por causa disso". O senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, disse que o fim de uma guerra cara e impopular seria uma solução positiva, mas afirmou que quer conhecer mais detalhes do acordo. "Uma saída para essa situação é algo positivo, porque essa foi uma guerra que jamais deveria ter começado", disse ele. De acordo com a Lei de Revisão do Acordo Nuclear com o Irã, aprovada pelo Congresso durante o governo de Barack Obama, qualquer acordo firmado pelos Estados Unidos relacionado ao material nuclear iraniano deve ser encaminhado ao Congresso para análise dentro de um determinado prazo. No entanto, cabe ao próprio Congresso decidir se essa revisão ocorrerá. Questionado por jornalistas na França, onde participa da cúpula do G7, sobre o envio do acordo ao Congresso, Trump se mostrou aberto à possibilidade. “Nunca pensei em enviá-lo, nunca sequer pensei nisso, mas vou fazê-lo”, disse Trump aos jornalistas. “Vou enviar ao Congresso. Gosto da ideia.”
Parlamentares nos EUA mostram ceticismo e querem revisar acordo com o Irã
Republicanos e democratas esperam receber detalhes sobre memorando antes que ele seja formalizado; Trump e J.D. Vance afirmaram que documento deve ser divulgado ainda nesta semana














