Aliados de Trump admitiram não ter informações sobre acordo que a Casa Branca se recusou a divulgar e cobram detalhes enquanto esperam que documento seja mais decisivo que o acordo de Obama 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca — Foto: KENT NISHIMURA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 18:22 Senadores Republicanos Exigem Congresso em Acordo EUA-Irã Republicanos no Senado dos EUA estão contestando um entendimento preliminar entre Trump e Irã, exigindo que qualquer acordo seja votado no Congresso. A falta de detalhes divulgados pela Casa Branca gera preocupação entre legisladores, que temem uma repetição do pacto nuclear de 2015, criticado por ser fraco. Senadores pedem transparência e participação do Congresso para evitar um acordo não vinculativo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump de que os EUA e o Irã haviam chegado a um acordo preliminar para acabar com as hostilidades atraiu otimismo cauteloso e frustração dos legisladores no Capitólio, onde até mesmo alguns republicanos estavam relutantes em elogiar um acordo cujos termos a administração ainda não divulgou. “Ainda não temos um acordo, então veremos quando houver texto por aí”, disse o senador John Thune, republicano de Dakota do Sul e líder da maioria, aos repórteres no Capitólio. “Acho que haverá um alto nível de interesse entre nossos membros”. Embora haja poucos detalhes concretos sobre o conteúdo do memorando de entendimento (MOU) com o Irã, alguns republicanos proeminentes estão abertamente preocupados com o fato de Trump ter cedido demais em nome do fim da guerra. Eles não escondem o receio de que o presidente assine um acordo nuclear semelhante ao firmado pelo governo de Barack Obama em 2015, que eles (e o próprio Trump) criticaram por mais de uma década como sendo muito fraco. Houve reações semelhantes após Trump anunciar um cessar-fogo apressado no início de abril, mas as críticas estão aumentando agora que um acordo inicial parece estar se consolidando. O senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, deu início à discussão no domingo, em uma postagem que pareceu bastante passivo-agressiva no X. Embora tenha elogiado o esforço para chegar a um acordo inicial, ele disse estar "um tanto preocupado" com o fato de a versão dos detalhes apresentada pelo Irã não coincidir com a da Casa Branca. Graham também enfatizou que o Congresso deve votar sobre tal acordo e afirmou ser "imperativo que o arquiteto do acordo, o vice-presidente, JD Vance, e seus parceiros de negociação façam parte do processo de apresentação do acordo final ao Congresso". Ao retornarem a Washington na segunda-feira, senadores de ambos os partidos disseram que acolheriam qualquer caminho longe da guerra, mas questionaram por que o Congresso ainda não havia recebido detalhes de um acordo que poderia remodelar o envolvimento dos EUA no Oriente Médio. — Se é um acordo secreto, então como posso levá-lo a sério? — o senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte, disse na tarde de segunda-feira. Além de Thune, democratas também exigiram que o governo informasse os legisladores sobre o pacto. — Já se passaram quase 24 horas desde que Trump anunciou que havia um possível acordo com o Irã, e ainda não sabemos os detalhes — ressaltou o senador Chuck Schumer, de Nova York, líder da minoria, em um discurso do plenário do Senado. — Trump deve informar o Congresso e o público sobre os detalhes de seu entendimento com o Irã imediatamente e encerrar esta guerra de uma vez por todas. Tanto Thune quanto Schumer são membros da chamada Gangue dos Oito no Congresso, que deveria ser informada sobre questões de inteligência altamente classificadas. A senadora Jeanne Shaheen, de New Hampshire, a principal democrata do Comitê de Relações Exteriores, disse em um comunicado que o Congresso deve ser “imediatamente informado sobre os termos deste entendimento”, acrescentando que qualquer acordo nuclear alcançado teria que ser aprovado pelo Senado “por lei”. Desde o início, o governo reteve informações do Congresso sobre a guerra no Irã, e os líderes republicanos por meses se abstiveram de realizar qualquer supervisão. Mas nas últimas semanas, alguns deles se juntaram aos democratas para instar o governo a ser mais próximo. Na segunda-feira, no entanto, alguns republicanos mantiveram sua postura deferente, apesar de não receberem detalhes sobre o acordo. "O presidente Trump merece nossa confiança e apoio enquanto trabalha para trazer paz ao Oriente Médio", afirmou o senador Bernie Moreno, republicano de Ohio, em um comunicado. Mas os falcões do Partido Republicano injetaram uma nota pontiaguda de ceticismo. Até mesmo alguns republicanos que expressaram otimismo sobre um possível acordo mantiveram que qualquer acordo final sobre o programa nuclear do Irã teria que passar pelo Congresso. O senador Mike Rounds, republicano de Dakota do Sul, observou que o pacto nuclear que o governo Obama alcançou com o Irã em 2015 não havia sido ratificado pelo Congresso e, portanto, não era vinculativo. Se o governo Trump quer que um próximo acordo nuclear “seja algo diferente de um acordo político”, afirmou, ele precisava ser ratificado pelo Senado. Integrantes do movimento Maga (sigla em inglês para "Faça os EUA Grandes Novamente"), também questionaram publicamente a demora para divulgação do conteúdo do entendimento com Teerã. Autoridades do governo disseram que o texto seria divulgado em 24 a 48 horas, enquanto Trump disse que seria após a assinatura na sexta-feira. — Tenho perguntado há dias: por que nós, o povo, não podemos ver o maldito memorando de entendimento? — declarou o apresentador da Fox News, Mark Levin, no domingo, acrescentando: — Honestamente, nunca vi nada parecido. Se for um ótimo resultado para a paz, então divulguem. Os editores da revista conservadora National Review consideraram "desencorajador" o fato de Trump ter indicado que o Irã ainda teria permissão para enriquecer urânio para usos não militares. E criticaram os primeiros indícios de que o acordo não restringiria o programa de mísseis balísticos da República Islâmica. “Em suma, existe a possibilidade de Trump retornar os EUA ao fracassado acordo com o Irã de Obama, que Trump, com razão, rasgou em seu primeiro mandato”, escreveram os editores, “o que teria todos os ingredientes para uma humilhação depois de toda a retórica agressiva do presidente”. Depois que Vance sugeriu que os líderes iranianos expressaram arrependimento por seus 47 anos de hostilidade em relação aos Estados Unidos, o comentarista conservador Erick Erickson respondeu com “FFS” — uma sigla que significa “pelo amor de Deus”. Alguns aliados proeminentes de Trump alertaram o governo para não aceitar como verdade absoluta as declarações do Irã ou acreditar que o país cumpriria os termos de quaisquer acordos por escrito. “Trump se rendeu ao Irã”, acrescentou Erickson em outro momento. “Aqueles que matam americanos adoram este acordo”. E se, após a assinatura e divulgação do conteúdo do memorando, a narrativa da direita americana acabar sendo a de que Trump apenas remontou o acordo nuclear de Obama, que ele mesmo desmantelou há quase uma década, a guerra poderá ser um desastre político ainda maior para o presidente dos EUA. (Com New York Times)