A paulistana Heloisa Callegaro considera que a necessidade precoce de participar de decisões e a experiência internacional moldaram sua vida. Ela passou por uma tragédia transformadora aos 9 anos de idade. A morte de seu pai agregou à sua infância a missão adulta de dividir com a mãe os cuidados com os três irmãos mais novos e as decisões de família. Não faltava nem sobrava dinheiro em casa, relata a sócia-sênior e managing partner da McKinsey no Brasil. Mas, sob a rédea materna, a prioridade foi centrada na educação da meninada e no estímulo a que ganhasse e conhecesse o mundo. “Mesmo não tendo muitos recursos, minha mãe enviou todos os filhos para intercâmbios no exterior”, relembra. Na última série do segundo grau, Callegaro partiu para a Nova Zelândia. De volta ao Brasil, passou no vestibular para cursar a graduação em engenharia química na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), concluída em parte na Alemanha, graças a uma bolsa de estudos. Dessa escolha, adicionou elementos essenciais para um novo molde, que a levou a seguir carreira em consultoria empresarial. “Concordo quando me dizem que os engenheiros são quadrados. Acho que sou meio quadrada. No final das contas, o que um engenheiro faz é aguçar sua capacidade analítica e de estruturação para resolver problemas”, resume. Sua trilha no segmento de consultoria empresarial começou com um estágio na Roland Berger, que, mais tarde, a enviou para atuar em seu escritório de Portugal por um ano. Como via de aprimoramento, Callegaro concluiu MBAs em Singapura, na França e nos Estados Unidos. Ao retornar a São Paulo, no início de 2008, ingressou na McKinsey como associada — função que estimula a experimentação de diferentes áreas da consultoria. “Então, fiz um pouco de tudo até que, em 2015, virei sócia e passei a liderar a área de operações do Brasil e, depois, da América Latina.” Callegaro está à frente da McKinsey do Brasil há dois anos. “Acho que, para liderar um escritório com sócios de uma consultoria global, a pessoa precisa ter bom relacionamento, fazer seu trabalho direitinho e com disciplina, navegar bem a firma e demonstrar a ambição de conduzir a empresa para melhores posições no mercado”, acredita. Conforme explica, sua tarefa é continuamente melhorar o trabalho oferecido às empresas clientes — cada uma com perfil único. Da porta para dentro, inclui a máxima capacitação técnica e tecnológica dos colaboradores e o envolvimento deles em prol de um projeto. “Desde o início, dei à minha gestão um jeito bem humano, para fazer os profissionais sentirem-se mais próximos, engajados e cientes de que podem contar comigo”, afirma. Ela atribui essa diretriz de liderança à McKinsey, cujo propósito é transformar a performance dos clientes, de um lado, e empolgar e reter profissionais excepcionais, de outro. A missão traçada pela consultoria acabou assimilada por ela em seus mais de 18 anos de casa. O texto está fixado no caderno que usa para anotações — talvez, uma de suas últimas heranças analógicas. “Eu nem preciso ler todo dia porque já está decorado. Ainda assim, continua aqui no meu caderno.” Os irmãos Callegaro continuam unidos, em torno da mãe. “As circunstâncias da vida nos fizeram muito próximos”, diz. Heloisa casou-se há 20 anos, durante um MBA, e teve seus três filhos — Bianca, 15 anos; Rafael, 13; e Lucas, 10 — enquanto já atuava na consultoria. A escolha da casa da família é uma rara decisão que a distancia do trabalho. Preferiu um local perto da escola das crianças, o que a faz enfrentar diariamente o trânsito paulistano. Empresas em que trabalhou: Johnson & Johnson e Roland BergerIdade em que se tornou CEO: 45 anosMaior orgulho da carreira: ter ajudado empresas muito relevantes no Brasil a melhorar suas performancesPessoa que a inspira: a mãeHobby: ficar com a família, cozinhar e correr