Do pai, ele herdou os valores humanistas; da mãe, o senso prático e a disciplina. Essas três características contribuíram para definir o modo de comandar e administrar de Pedro Lima, CEO do Grupo 3corações, maior empresa de cafés do Brasil. A liderança e o contato com o café surgiram cedo em sua trajetória, em São Miguel, município do interior do Rio Grande do Norte, onde nasceu e onde, na década de 1950, seu pai mantinha um pequeno comércio de venda de café. Aos 17 anos, ingressou no curso de agronomia de Mossoró (RN), mas aos 20 desistiu da faculdade, movido pelo desejo de voltar a São Miguel para tocar o negócio da família. “Meu pai não conseguia comprar café de qualidade na região, então pensei sobre o que eu poderia fazer para transformar a atividade e criar valor”. Nascido numa família de oito irmãos, dos quais três mais velhos faleceram ainda crianças, uniu-se aos dois mais novos, de 18 e 16 anos, e passou a gerir o empreendimento. A primeira providência foi começar a comprar café em Minas Gerais, diretamente dos produtores. “Foi a decisão mais valiosa que tomei; transformadora e determinante para chegarmos aonde estamos”, diz Lima. E assim, aos 22 anos, iniciou sua trajetória de liderança, assumindo a presidência da companhia, que passou a se chamar Santa Clara, e teve a sede transferida para Eusébio, no Ceará. À frente da empresa, Lima mudou-se para a capital Fortaleza e de lá partiu para uma estratégia agressiva de expansão. Depois de transformar o Café Santa Clara na marca número 1 das regiões Norte e Nordeste do país, foi atrás de aquisições, inicialmente no Nordeste e depois no Sudeste. Hoje, a companhia reúne mais de 30 marcas de café. Mas uma era a mais cobiçada por Lima: a mineira 3corações, que por duas vezes quase foi incorporada ao portfólio, mas somente na terceira chance, em 2005, passou a fazer parte do grupo, por meio de joint venture da holding São Miguel, da família Lima, com a Strauss Coffee, subsidiária do grupo israelense Strauss Group, que havia adquirido a marca. O acordo originou o Grupo 3corações, com controle compartilhado, e consolidou a empresa, a partir de 2012, na liderança do mercado brasileiro de cafés. Em março deste ano, Lima liderou outro movimento significativo do grupo: a aquisição das operações da General Mills no Brasil, que engloba as marcas Yoki e Kitano, líderes de mercado em suas categorias. “Meu pai sempre me ensinou a criar laços, na vida e nos negócios. Queremos estar cada vez mais na mesa do consumidor não apenas no café da manhã, mas no almoço, no jantar.” Com 600 mil pontos de venda e quase nove mil colaboradores, o Grupo 3corações faturou R$ 16 bilhões em 2025. Na vida, os laços também unem família e negócios. Aos 61 anos, casado, Lima tem ao seu lado na empresa, além dos dois irmãos que o acompanham desde o início, os filhos Paula, Marília e João Pedro. Com eles e os quatro netos, são frequentes os encontros em torno da mãe, de 98 anos. No trabalho, ele diz não interferir na gestão dos diretores, mas não abre mão de acompanhar de perto as operações visitando centros de distribuição (são 28) e fábricas (10). “Gosto de estar presente, de ver o que está acontecendo, porque do contrário não teria chegado aonde cheguei. Mas não tiro o poder de decisão de cada um nem a liberdade das pessoas, porque elas têm de trabalhar felizes, em linha com os princípios humanísticos”, diz. Para as situações difíceis, Lima lembra sua origem: “Nasci e cresci numa região inóspita, numa cidade que sequer tinha hospital, e a cada ano da minha vida a incerteza fez parte da rotina, me ensinando a ser resiliente e otimista e a não perder a serenidade, como meu pai me ensinou”. Empresas em que trabalhou: sempre no Grupo 3corações Idade em que se tornou CEO: 22 anos O maior orgulho da carreira: a construção e condução do Grupo 3corações Pessoas que o inspiram: João Lima (pai) e Joana Rego (mãe)Hobby: exercício físico diariamente