O engenheiro paulistano André Farber acaba de completar três anos no comando da Riachuelo como o primeiro CEO de fora da família fundadora. Aos 51 anos, esta é a segunda vez em que ele assume o cargo mais importante de uma empresa – a primeira foi na Dafiti, onde ficou por dois anos. Sob sua gestão, o grupo Guararapes, criado em Natal (RN) em 1947, com a loja de tecidos A Capital, revitalizou a marca, inovou no modelo de loja, voltou a dar lucro após as dificuldades da pandemia de covid-19 e reduziu o endividamento. O executivo diz que o trabalho exige muita disciplina. “Preciso me desdobrar, mas também acredito que podemos fazer as coisas de uma forma leve e prazerosa”, pondera. Farber aposta em uma estrutura sem hierarquias, com liberdade para os talentos executarem, desde que, claro, alinhados à estratégia. “Por outro lado, gosto de entender os assuntos em detalhes e estar próximo tanto da operação quanto das pessoas”, comenta sobre seu estilo de gerir a gigante da indústria de moda brasileira. Farber diz que se empenha em criar boas conexões com todos os grupos. “Minhas equipes diretas têm colaboradores com idades que variam entre 33 e 60 anos. Então, somos bastante diversos em termos de faixa etária, gênero, procedências. Temos gaúchos, cariocas, muitos nordestinos e até um estrangeiro vindo da concorrência na diretoria de operações”, brinca. Entre os 11 líderes que formam a diretoria executiva, seis são homens e cinco, mulheres. Com 33 mil colaboradores, a Riachuelo realizou um censo de diversidade no ano passado com participação do time do escritório de Xangai, na China, onde a empresa mantém um posto comercial que oferece apoio global e estratégico para a operação, intermediando importações. Conforme o levantamento, o grupo tem 64% de pessoas pardas e pretas na força de trabalho; na liderança, são 44%. Cerca de 60% das posições de gerência, coordenação e supervisão são ocupadas pelo gênero feminino, que também domina a operação têxtil. Farber diz que gerar impacto socioeconômico positivo é o que lhe satisfaz. Ele já morou no Peru, na Coreia do Sul, em Singapura e na França, onde cursou um MBA no Insead, reconhecida escola de negócios, e vê o empreendedorismo como seu lugar natural. “Estou feliz na Riachuelo, porque somos uma empresa 100% brasileira, que está crescendo, gerando milhares de oportunidades e é bem-sucedida no modelo de negócio integrado, que vai da produção do fio de algodão no semiárido ao cartão da Midway, nosso braço financeiro. A gente tem tudo”, orgulha-se. Fã do trabalho estratégico de marca, Farber defende ainda que a qualidade dos produtos é o que mantém a companhia com bons resultados em vendas, apesar dos desafios impostos pela explosão das compras on-line nas plataformas asiáticas. “Nossa marca tem, cada vez mais, qualidade e conteúdo, com os clientes respondendo bem a essa evolução. Entregamos uma experiência em melhoria constante”. Para seguir na trajetória de conquista de clientela, ele antecipa que, nos próximos cinco anos, a companhia prevê abrir mais 150 lojas físicas e renovar o parque das 342 instaladas, totalizando investimentos da ordem de R$ 5 bilhões. A loja recém-reformada do ParkShopping Barigui, em Curitiba, com visual mais limpo, traduz a nova imagem de “brasilidade” e sustentabilidade que o grupo quer projetar na sua gestão. Hoje, além da presença digital, o grupo Guararapes possui 342 lojas do vestuário tradicional, 81 Carter’s (moda infantil), 13 Casa Riachuelo (cama, mesa e banho) e 9 FANLAB (moda jovem). Empresas em que trabalhou: Dafiti, Grupo Boticário e Bain&CompanyIdade em que se tornou CEO: 46 anosMaior orgulho da carreira: trabalhar em marcas e empresas brasileiras que ajudam o país a se desenvolverPessoas que o inspiram: os avós, donos de uma loja de roupas na rua José Paulino (em São Paulo), os pais e Ayrton SennaHobby: corrida, natação e surfe
Executivo de Valor - André Farber, da Riachuelo: com ‘brasilidade’ e sustentabilidade
Primeiro CEO de fora da família fundadora, executivo diz que se empenha em criar boas conexões com todos os grupos






